sexta-feira, 28 de Dezembro de 2007

Até qualquer dia

Pois é meus caros, primeiro que tudo peço desculpa pela falta de posts neste mês mas como podem calcular tanto eu como o Manuel tivemos mais a curtir o nosso último mês na terra dos Vikings do que propriamente preocupados com literatura.

Só para vos contextualizar desde o último post (Riga), na semana seguinte fomos a Tallin e posso afirmar que foi uma das melhores viagens que fizemos. O barco era um luxo do camandro, fizemos sauna e tivemos no jacuzzi umas belas 2 horas, a vodka de qualidade standard estonian (vulgo Giorgios) funciona bem e as nossas vozes continuam afinadas no Karaoke. Tallin tem uma centro histórico muito porreiro, os preços praticados são idênticos aos Portugueses e as pessoas são uma mistura de cultura nórdica com cultura do leste da Europa.

Depois disso começaram uma série de despedidas a todo o pessoal que não vou por aqui relatar mas posso afirmar que foram momentos algo tristes.

Dia 23 de Dezembro foi o nosso último dia na Suécia, às 15 e 20 apanhamos o nosso voo com destino a Amesterdão (que se atrasou e nos lixou a visita que tínhamos planeada à cidade) e por volta das 20 e pouco apanhámos o voo com o destino final Lisboa (tb se atrasou). Chegados a Lisboa tivemos que esperar um bom bocado pela bagagem e pronto foi isso.

É sempre bom rever a família, a nossa boa comida e a nossa cultura. No dia 24 tive o prazer de ir à minha amada vila de Sintra com a Rita e o Xano comer um belo travesseiro e tive que assistir à minha primeira discussão por causa de uma fila para comprar os travesseiros. É bom tar de volta, mas vou levar o meu tempo a habituar me ao chamado temperamento latino (por isso se eu vos parecer um coninhas pouco labrego e sem pinta de macho têm que me dar o desconto, mas 4 meses no frio faz isto ao pessoal)

Agora podia entrar numa grande filosofia sobre o que foram estes 4 meses, mas tenho antes um vídeo da minha grande amiga Daphnée que basicamente diz tudo o que eu gostaria de dizer sobre Erasmus :

video

(se não sabem inglês ou inglês com sotaque francês aqui fica um resumo, Erasmus é fixe, conheci as melhores pessoas do mundo e Erasmus foi fixe)

Aqui fica uma foto do pessoal com quem partilhei uma cozinha por 4 meses, tenho 20 gigas em fotos mas estas foram as pessoas que mais me marcaram, em particular o Markus, Matas, José e Daphnée, posso também incluir a Agniezka Maria com quem tive muito boas conversas, e podia também incluir todos os outros nomes de entre as 48 pessoas com quem vivi e que à sua maneira contribuiram para aquilo que sou hoje (bla bla bla erasmus social skills bla bla)

Aqui fica também a nossa homenagem ao grande lugar que é Tyresö, se as paredes falassem tenho a certeza que ali era um dos melhores sítios para ter uma boa conversa


Erasmus foi de facto o maior Cliché da minha vida, todas as coisas que vemos em filmes como a residência espanhola são de facto vividas, e quando achamos que já não temos muito para aprender ,a nossa vida dá uma volta de 7347345 graus e sinceramente não sei mais o que fazer depois disto.

Apenas sei que agora tenho lugar para dormir em toda a Europa e que nos próximos meses vou receber a visita de muito boa gente, a começar pelo Matthias um dos Austríacos mais porreiros que tive o prazer de conhecer e que depois do convívio todo ficou com vontade de vir beber umas imperiais e provar uns caracóis.

Um mito que gostaria de desmistificar é o mito de que o povo nórdico é um povo suicida e arrogante. Eu e o Manuel tivemos o prazer de trabalhar com 2 Suecos que para mim provaram ser 2 pessoas muito porreiras apesar de acharem que nós só comemos tacos e andamos de burro, o meu buddy Halif tb é uma pessoa muito prestável e simpática, e a Cecilia, Elin, Ksenia (ok esta é russa), e todas as pessoas de nacionalidade Sueca com quem privei eram no geral pessoas muito acessíveis e porreiras. Por isso se se cruzarem com um mandem lhe um Hej Hej que podem ter a sorte de ter uma boa conversa com eles.

E agora, 4 meses depois, 4 países visitados, 8734858345 pessoas conhecidas, 8345834785 asneiras em 9459868456 línguas diferentes aprendidas é tempo de vos mandar um bem haja a todos e obrigado por terem acompanhado a nossa aventura.

Inté =)

quarta-feira, 12 de Dezembro de 2007

Riga (ou mais uma aventura pelo Báltico)

Começo este post por anunciar que o Manuel se esqueceu de levar a máquina fotográfica para Riga. Por isso todas as fotos que não vão aqui aparecer são da responsabilidade dele.

Ora bem velhos camaradas, tudo bem por terras de nossa majestosa presidência o excelentíssimo senhor Luís Filipe Vieira ? Foi o que eu pensei ! Uma Maravilha ! Por aqui também está tudo à maneira e já não neva à duas semanas e as temperaturas até já roçam o agradável (5 graus vá), mas não estou aqui para falar de gastronomia mas sim de mais uma aventura pelo mar gelado do Báltico.

No Domingo passado dia 9 de Dezembro virei-me para o Manuel e disse:
"Manel, porque temos 2 rins ? Acho que se calhar podíamos arriscar uma viagem a um país do antigo bloco soviético só para ver se vendem chocapic por lá"

E assim foi. Embarcámos para essa bela localidade Situada na Letónia. Pois bem esta viagem apenas vem mostrar todo o meu Karma com fronteiras e todos os locais em que seja preciso mostrar a minha identificação. Chegados ao caís pedem me o meu passaporte ao que eu respondo que não tenho e mostro o meu id. O senhor olhou para mim e desconfiou que eu fosse a pessoa da foto mas depois lá retorquiu algo sobre o espaço Schengen e que eu estava com sorte.

Obrigado senhor Shengen, da próxima vez eu prometo que faço a barba e como um pão com chouriço antes da viagem.

Da primeira noite a bordo do barco não à muito a dizer excepto que o barco parecia uma traineira e um cacilheiro parece mais seguro ao lado do MS VANA TALLIN (nome da senhora que nos levou a Riga). A juntar a isto tavam ondas de 2.5 metros que resultaram numa noite de muita indisposição e de alguma partilha do conteúdo do meu estômago algures nas águas da Estónia.

Outro facto importante é que o barco tava quase vazio mas nós não éramos os únicos Tugas a bordo, junto connosco iam mais 8 tugas que saíram não sei de onde mas que eu fiz questão de não tentar saber. E como sabem que eles eram Tugas perguntam vocês? Ora bem conhecem mais algum povo que grite "SLB SLB GLORIOSO SLB" no meio do báltico ? Se souberem avisem !

Agora a parte importante : RIGA
Chegados a Riga deparamo-nos com uma via entupida de carros e o ameno cheiro do fume de escape, buracos na estrada, um rio poluído e grafites na parede.

Senti-me em casa, só não senti o cheiro a castanhas. Andámos um pouco pelos suburbios e visitamos o centro da cidade. Tem umas igrejas muito bonitas e umas coisas muito bonitas e o centro é muito bonito porque tem estes edificios bonitos cheios de cores bonitas e alegria bonita e coisas bonitas


Edifício bonito numa rua bonita

Depois de termos visto uns edificios bonitos fomos até à zona cosmopolita da cidade e foi aqui que me apaixonei. Senti-me rico pela primeira vez em alguns meses. A cidade é mesmo muito barata, menu no mc donalds = 2.5 euros, maço de tabaco = 1 euro, vodka = 3 euros

Este é um dos maiores motivos para se visitar esta cidade, além de ter bastante para ver é mesmo bem barata.

Decididos a provar a gastronomia Letã fomos comer uns hamburguês num rival do mcdonalds. Lá dentro sentimos-nos verdadeiros estrangeiros, pela primeira vez em meses ninguém falava inglês fluentemente. Lá conseguimos pedir um mega hamburguer e pela módica quantia de 3 euros fiquei de papo cheio. Findo isto fomos dar um giro e reparámos numa coisa fenomenal, todos os Letões têm ar de quem nos vai matar, mesmo aquele ar de máfia Russa. Pediram nos dinheiro na rua , provavelmente por eu ser incrivelmente parecido com o Johny Depp. Os letões também não se riem nas lojas nem em lado nenhum. Parecia mesmo o sítio certo para perder um dos rins, mas ninguém nos fez nada de mal.

Depois voltámos para o barco, não sem antes o Luís afrontar o posto fronteiriço. Desta vez passei sem problemas, mas quando fui a entrar para o barco algo aconteceu. Algo grandioso. Algo estrondoso. Algo digno de entrar nos anais da história (que palavra fenomenal). O que aconteceu foi.... foi... perdi o meu boarding pass.. ok já disse

Ok não meteu piada nenhuma, porque um letão pediu me o meu boarding pass e quando eu não o encontrei eles estavam um bocado na dúvida se eu devia de entrar no barco, mas depois quando ele viu que eu era o Luís Pedro O PORTUGUÊS do quarto 4122 lá me deixou entrar, não sei antes me ter pregado um cagaço do crl. Uma vez obrigado MR Schengen, da próxima vez que lavar os dentes eu prometo que fecho a água !

Depois deste pequeno stress voltámos para a nossa cabine e qual foi a primeira coisa que fiz quando entrei ?

Encontrei o meu Boarding Pass

Eu não acredito em bruxas, mas que elas existem existem

sexta-feira, 7 de Dezembro de 2007

Manuel vs Lapónia - Parte 3

Dia 3 - Dogsled e Ski
Já vos tinha dito que na noite antes deste dia dormi numa cabana perto de uns cães. Não sei se no dia seguinte foram esses os cães que puxaram os nosso trenós ou se foram uns muito parecidos .


Fiquei tão feliz por ver e ouvir de novo estes amigos que até vou meter aqui um vídeo para partilhar o momento.

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Eu sei que fazem um barulho um bocado irritante, mas acreditem que ás 5 da manhã é pior.

A parte chata de andar no trenó com os cães é que não se pode conduzir, por isso a única coisa que há a fazer é ir sentado a apreciar a vista. Na verdade, conduzir aquilo também não tem muita ciência. Os cães seguem o trilho sozinhos e, como falam sueco melhor que eu, só é preciso dizer "esquerda" e "direita" em sueco. Na verdade, só os 2 cães da frente, os "guias", é que têm de falar sueco, os outros limitam-se a seguir esses.
Pelos gritos dos animais isto até pode parecer uma coisa um bocado cruel. O que o condutor nos disse é que eles ficam assim porque estão ansiosos para correr, e é verdade que depois de começarem a correr só se queixaram quando os mandaram parar.
Outra coisa que nos disse é que há competições disto de 500-1000Km, que duram vários dias.


Paragem para café com um homem com um ar muito típico, que na verdade é dinamarquês.

Como andar de trenó não é uma coisa muito cansativa, quando voltámos ainda fomos dar uma voltinha de ski. Gostámos tanto que mais tarde até combinamos acordar no dia seguinte ás 8 para repetir. Não acordámos.

Noite 3 - Sauna
As mulheres foram a Kiruna fazer umas compras para o jantar e os homens ficaram a fazer uma coisa de homem: aquecer a sauna.
Enquanto fazíamos isso apareceram mais 3 gajos já meio bebidos que estavam alojados noutra cabana. Um irlandês com pronuncia de irlandês, um finlandês que parecia um finlandês e um suíço com ar de... psicopata. Depois da conversa standard para esta situação ("where are you from?", "since when are you here?", etc.) perguntam-nos logo "So, are you 9 guys here?". Ficaram felizes por saber que éramos os únicos 3 do grupo e que mais tarde íamos todos para a sauna. This should be fun.

Voltámos para a cabana para jantar e deixámos os novos amigos a tomar conta da sauna. Depois de jantar, beber um bocadinho e 2 visitas dos nosso amigos, agora já mais do que meio bebidos, a perguntar se faltava muito para irmos para a sauna, fomos para a sauna.

O funcionamento de uma sauna é muito parecido com o de uma praia: ficar lá dentro até estar a morrer de calor, ir para a água e quase morrer de frio, repetir. As únicas diferença são que não se apanha escaldões, é mais quente e a água, por muito incrível que pareça, é mais fria. A única dificuldade foi manter as bebidas frescas na sauna, mas nada que um balde cheio de gelo fresquinho não resolva.


Foto obrigatória no buraco no gelo. Acreditem, a do 1º dia custou mais.


Tudo estava a correr bem até ouvirmos uns barulhos a vir da sala ao lado. O Suíço com ar de psicopata, agora bastante bêbado, deixou cair um colar entre as tábuas de madeira do chão da casa da sauna. A ideia dele foi logo ir tentar levantar as tábuas, mas não conseguiu. Entretanto desatou à pancada com um dos amigos, foi-se embora e nós começámos a ir também.
Estávamos a acabar de nos vestir e arrumar as coisas quando volta o nosso amigo psicopata, desta vez com um machado. Como um bêbado com vontade de andar à pancada e um machado na mão começa a deixar de ter piada, despachámo-nos.

Depois de voltarmos a casa e de nos convencermos uns aos outros de que o nosso amigo do machado estava bêbado demais para encontrar o caminho para a nossa cabana, pudemos acabar as nossas sprites. Voltou a reinar a boa disposição.


O jogo que causou grande parte do consumo de sprite.


A boa disposição

Dia Final - A Partida
Acordámos, despedimo-nos do sueco maluco (que voltou a chegar atrasado) e apanhámos o avião para Estocolmo.


Foto de grupo

E foi Kiruna. Das actividades que fizemos o snowmobile foi a mais divertida e emocionante. Acho que especialmente para a Belén, que ia comigo quando me despistei. Mas o melhor desta viagem foi, de longe e sem dúvidas, o pessoal muito porreiro com quem fui. Foram uns dias mesmo muito fixes, que mais posso dizer?

quinta-feira, 6 de Dezembro de 2007

Manuel vs Lapónia - Parte 2

Quando vos deixei, estava no norte da Suécia deitado na neve com mais 3 pessoas e uma temperatura de -20ºC. A narração continua agora na manhã seguinte.

Dia 2 - Ver coisas
Quando acordei doia-me um bocado a garganta... estas mudanças de tempo são lixadas. O primeiro plano para este dia era ir ver um hotel feito de gelo, mas primeiro tivemos que mudar as nossas malas para o sítio onde pernoitaríamos nessa noite. A cabana em que eu ia ficar estava situada ao pé de uma jaula com uns 20 cães que podiam ter um ar mais simpático.

O hotel feito de gelo tem o nome inteligente de Ice Hotel. No Verão, tem o pequeno problema de deixar de existir, pelo que tem que ser reconstruido todos os anos. Disseram-nos que este ano esteve mais quente e por isso a construção estava atrasada. Realmente, este calor todo não dá vontade nenhuma de trabalhar.


Um gajo a fazer uma parede



Eu na minha camuflagem para a neve

O próximo ponto era visitar Kiruna e uma mina de ferro que lá há. O plano original era apanhar o autocarro porque, como o Sueco disse: "Yes, there is a very good bus connection from the Ice Hotel to Kiruna". O próximo vinha passadas 2h... Suponho que em Kiruna good bus connection quer dizer que há um autocarro em vez de renas a puxar um trenó.

Lá ligámos ao Sueco para nos vir buscar. Combinámos uma hora e ele atrasou-se meia hora... "This is spanish time, not swedish time!". Lá chegamos a Kiruna que,
como qualquer cidadezinha no norte que se preze, tem duas coisas para ver: a igreja e o city hall.

O desenho da igreja foi inspirado por uma cabana Sami.


O City Hall foi eleito o edifício mais bonito da Suécia há uns anos. Segundo o nosso guia, os juízes devem ter abusado da vodka.

Depois de dar uma volta pela cidade e almoçar uma Pita de Almôndegas, seguimos para a mina de ferro. Nesta mina as máquinas que usam para escavar são controladas à distância, o que até parece ser um trabalho divertido. Mas a mina está a chegar a uma profundidade que começa a ameaçar a cidade e já tiveram que mudar uma casa de sitio por causa disto. Há planos para nos próximos anos começarem a mudar o centro da cidade uns quilómetros para o lado.


Com o turismo feito, podíamos passar ás coisas importantes.

À noite fomos para a cabana maior beber umas sprites. Demorava mais ou menos 10 minutos andar entre as duas cabanas mas escusado será dizer que a viagem de volta, depois de beber as sprites, demorou uns 30, já que foi interrompida por jogos de futebol com garrafas e emboscadas na neve.

A ideia era meter aqui também os últimos dias. Mas amanhã é dia de trabalho, por isso ficam para a 3ª parte.

terça-feira, 4 de Dezembro de 2007

Manuel vs Lapónia - Parte 1

"Se é para ir para um país frio, então que vá para o frio a sério", pensava eu enquanto o avião aterrava no aeroporto de Kiruna, na Lapónia. Comigo estavam mais 7 pessoas corajosas: 5 espanhóis, 1 austríaco e 1 francesa, prontos para enfrentar a neve e a escuridão.

Kiruna tem um ar muito mais frio num mapa visto de cima.

Introdução Teórica

A Lapónia é conhecida por ser um sitio frio e o local de residência de um gordo barbudo que se veste com o equipamento do Benfica e conduz renas voadoras. Este região no Norte da Escandinávia estende-se pela Noruega, Suécia, Finlândia e Rússia e, além do Pai Natal, é habitado pelo povo Sami, que muitas vezes entra em conflito com os restantes habitantes da zona.
Além disso, no inverno a Lapónia tem a particularidade de ser escuro e ainda mais frio. Felizmente eu estava bem preparado.

Outras equipamento para o frio não representado na figura: 3 garrafas de vodka, 2 de rum e 1 de tequilla.

O sitio que fui visitar chama-se Kiruna, e é a cidade mais a norte da Suécia. Apesar de só ter 18000 pessoas é uma cidade grande. Na verdade, não tem muita coisa para ver, mas vão construir lá um espaço-porto para mandar turistas para o espaço.

Dia 0 - A chegada
Há três maneiras de ir para Kiruna desde Estocolmo: de carro; num comboio que demora 18h e num voo de 2h. É verdade que deve ser bonito ver as florestas, lagos e restante natureza da Suécia, mas depois das primeiras 7h deve começar a ser um bocado repetitivo, por isso o avião foi a nossa escolha.
Passo agora a apresentar o grupo que embarcou nesta perigosa viagem. Também podem ler mais sobre esta gente no post antigo do Luís sobre Tyresö):


Toda a gente (menos quem tirou a foto): Eu, Belén, Maider, Daphnée, José, Nagore, Leire.

Markus, quem tirou a foto.

Quando chegámos ao aeroporto fomos recebidos pelo sueco a quem alugámos as cabines, que é uma personagem que uma pessoa nunca na vida vai conseguir esquecer. Os transportes em Kiruna não são propriamente a coisa mais avançada do mundo, por isso o Sueco tem umas carrinhas de 9 lugares que empresta aos visitantes para poderem passear de um lado para o outro. O José, como bom espanhol que é, viu logo uma boa oportunidade para andar a fazer umas derrapagens na neve.

José: So, can we borrow the minibus to go to the ice hotel?
Sueco: Yes, it's no problem. Where are you from?
José: Spain
Sueco: Oh, then you can't drive the minibus. I've had guys from Spain, they always crash the minibus. The one from austria can drive it.

E mais tarde...

Sueco: Tomorrow I pick you up at 9.45. But SWEDISH time, not Spanish time! Spanish people always get late, I have to tell them to be there half and hour earlier.

Pois é, a fama dos espanhóis já chegou ao norte da Suécia. No inicio até pareceu que a coisa da carrinha era a gozar, mas no dia a seguir ele voltou a repeti-lo com um ar sério e preocupado. Pronto, o austríaco guia a carrinha...

Como nesta altura há muitos turistas e nós só fizemos as reservas tarde, tivemos que dormir num sítio diferente todas as noites. Basicamente, o sueco é dono de um sítio chamado Camp Alta, onde tem algumas casas/cabanas e organiza actividades para os turistas. Era aqui que estavam as cabanas em que nós dormimos na primeira noite.


Sauna do Camp Alta, no meio do lago congelado.

Dia 1 - Snowmobile (máx: -5ºC, mín: -16ºC)
Para tentar mudar a fama dos espanhóis o pessoal acordou a horas, e ás 9.45 estávamos a começar a equipar-nos para andar nos snowmobiles com uma vestimenta toda 1337.

Kiruna tem muita luz ás 11.30 da manhã.

Iam 2 pessoas em cada snowmobile e, felizmente, a espanhola que ia comigo desviava-se bem das árvores. Eu ainda pus a nossa vida em risco quando me despistei do trilho a 90Km/h, mas acabou por correr tudo bem. Estas maquinetas chegam aos 200Km/h, mas a maior parte do tempo nós estávamos a andar na floresta, onde não se pode acelerar muito.


Eu sou o que está em pé na mota à esquerda da amarela. Ou então esta foto nem é nossa estou a inventar.

A meio da viagem, parámos para o almoço no meio da neve, o que é muito agradável quando estão -12ºC. O que nos valeu foi a tecnologia sueca para nos manter quentes: Saltitem e mexam os braços.
O almoço foi carne de rena (ou de alce, não me lembro), com batatas e doce. Sim, doce é um bom acompanhamento para a carne na Suécia, ou então é só o que dizem aos turistas, porque o Sueco não comeu nada.



Depois de um snowmobile capotar e outro ir contra uma árvore, voltámos ao Camp Alta, onde pude notar que o meu cachecol estava congelado. Depois de brincarmos um bocado na neve que nem putos, fomos no minibus para a casa onde passámos a noite, que era mais ou menos a 2Km dali.

Noite 1 - Beber
Juntou-se a nós mais uma espanhola (Susana) que não pode vir no 1º dia.
Depois de comermos o jantar (que obviamente, incluiu tortilha de batatas), começámos com a actividade importante da noite:


...fazer desaparecer isto. Notem a tecnologia sueca para manter as bebidas frescas.

A partir de agora, pode-se contar a historia melhor com imagens.


Nós a beber coca-cola e sprite


Close-up do nosso Tequilla Man


Beberam tudo e não deixaram nada para nós


Ou se calhar deixaram...


Frio do c******

Nós com o nosso equipamento anti-frio em acção


Equipamento anti-frio ainda mais em acção.


À procura de uma aurora boreal no céu.

Apesar do céu não estar nublado, não vimos nenhuma aurora boreal. De resto, tudo correu bem nestes primeiros 2 dias no norte da Suécia.

quarta-feira, 28 de Novembro de 2007

Tyresö = (L)

Yay! O meu post honorário! :D
Ora então aqui vai uma opinião não-Erasmus da Suécia!

1º conselho - não marquem voos para as 9:30 da manhã no Porto, a não ser que sejam do Porto. Porque acordar às 3 da manhã para ter tudo pronto e garantir que se está lá às 7:30 e depois serem informados que o aeroporto da Suécia está fechado porque a pista está coberta de neve e terem que ficar a jogar sudoku no ipod até às 14:30 NÃO É GIRO!!
(a ideia é ler isto muito depressa para sublinhar a ideia de revolta)

2º conselho - arranjem sapatos com pregos na sola para prevenir o festival do escorrega que acontece na Suécia. A Suécia é, no fundo, uma grande pista de gelo sob a qual os turistas (aka eu) se esforçam para não se matarem. E depois tem alguns prédios por cima, mas é no fundo uma pista de gelo gigante.

3º conselho - levem bloco de notas para apontar os palavrões em todas as línguas possíveis (aaah as maravilhas de uma residência de estudantes erasmus!)

Ok, o que é que eu posso dizer da Suécia?
  • é fixe
  • é limpinha
  • é fria
  • é fria
  • quando não é fria é gelada
  • os cafés têm açúcar em cubinhos com uma pinça para nos servirmos, e biscoitos gigantes acabados de fazer
  • não se vêm graffs nas paredes (o que é muito estranho para quem vive na linha de Sintra)
  • as suecas são muito giras
  • os suecos são muito giros
  • é fria
  • escorrega
  • os transportes chegam sempre a horas (novamente: o que é muito estranho para quem vive na linha de Sintra)
  • tudo funciona à base do self-service e da confiança em ti (reforço a ideia: o que é muito estranho para quem vive na linha de Sintra)


Ou seja, a Suécia não tem nada a ver com Portugal. As pessoas são bem-educadas, os transportes são limpinhos, as filas são respeitadas, não se vê gente aos gritos na rua, podemos andar com a máquina fotográfica em punho sem ter medo de
se ser xinado e ter que passar os trocos ao sócio, andamos de barco para muito lado, e está sempre a nevar!

Há muitos sítios giros para visitar. Por exemplo, podem visitar o Vazamuseet, um museu onde se encontra um navio viking resgatado inteiro do fundo do mar. As fotos relatam a visita;

O interior do barco que nos leva até à margem do vazamuseet.
Notem o aspecto civilizado das pessoas, os cães não são pitbulls e os bancos não têm escrito "1003 PV" ou "Dunia ama Enderson"


O Luis no barco, com cara de tinkiwinkie


Aspecto do navio, que era bem ninja por sinal. Quando o vimos pela primeira vez ficamos mesmo "uuuooooou" com a sua imponência. Toda a madeira ao longo do navio estava trabalhada com motivos alegóricos, todas as saídas de canhões tinham leões esculpidos em madeira, únicos entre si, e a madeira teria sido pintada com cores berrantes aquando a conclusão da obra, sinal de riqueza na época (1629).
No entanto, o navio não foi feliz na sua construção, porque quando abandonou o porto onde foi construído, navegou alguns km e afundou-se. Ao que eu digo


hehe. Moving on!


Entretanto fomos visitar Helsinki por 5€ (true story!), naquele que será conhecido para todo o sempre como o
cruzeiro do demónio. Um navio cruzeiro de 7 andares cheio de suecos e finlandeses com nada mais para fazer que beber e roçarem-se uns nos outros é qualquer coisa que merece ser vivido... mas só uma vez. Porque depois mete nojo e se quiserem repetir a experiência, devem consultar um especialista.

Ok, Helsinki! Hooray!

Tinkiwinki strikes again. No fundo é possível ver a Igreja Luterana (a branco) e a Igreja Ortodoxa (a tijolo), que são as maiores atracções da cidade.


Pormenor da Igreja Ortodoxa (que vale muito a pena visitar, é lindíssima).


Pormenor da Igreja Luterana (que fora este altar, todo o resto da igreja é branca e despojada de riqueza, muito ao estilo da filosofia de M. Luther).


Eu cheia de calor na Finlândia

E não posso despedir-me da Finlândia sem falar dos patos comedores de batatas fritas com ketchup. Se forem lá, digam-lhes olá por mim!


Podia encher este post com (mais) fotos, mas o essencial a reter é isto:
  • Visitem o Luis porque ele é o melhor guia turístico da cidade que sabe tudo e mais alguma coisa sobre tudo e mais alguma coisa;
  • Uma residência de Erasmus é das coisas mais geniais que pode existir. 15 pessoas por andar, cada uma com uma língua diferente, uma cultura diferente, ideias diferentes. Não sei quanto a outras residências, mas eu adorei a do Luis. As pessoas são extraordinárias, e bastou-me 10 dias para me apaixonar por todos os que vivem ali.
  • O Luis sabe lavar a roupa :O e cozinhar! :O :O quem diria, quando o conheci era uma pequena criança! Faz o melhor pão de alho do universo (mas o mítico pão-de-alho à Rita não mo roubas!)
  • Na Suécia a carne é muito cara, pelo que se comem muitos vegetais. Isso é excelente! Devia ser assim em todo o lado. Se 1Kg de carne custasse 60€, virava tudo vegetariano e o mundo era um sítio melhor!
  • Escorrega muito na Suécia, mas é qualquer coisa especial olhar para a janela e ver nevar :)
  • Há uma second-hand shop no prédio do Luis que é a melhor cena do universo. Se não tivesse o problema de peso tinha comprado metade do que estava lá.
  • WE ARE THE KNIGHTS WHO SAY NIIIIIIII tem especial piada quando se está mal disposta do estômago e se está a beber Sprite pq é a unica coisa com gás que há e foi roubada a um francês qq da cozinha ao lado.
Enfim, obrigada Luis.
*

Tudo o que querias saber sobre a Suécia e tinhas medo de perguntar

Na Suécia não cai chuva nem orvalho está sempre é um frio do cara***

Na Suécia a frase "Se amanhã não chover vai estar um rico dia" não funciona, a mesma frase aqui seria algo tipo, "Se amanhã não nevar e eu não tiver que andar a patinar com medo de cair no chão vai estar um dia medíocre"

Na Suécia as temperaturas de dia são muito agradáveis e rondam sempre aquele número cujo simétrico é igual a si próprio (vá ok é o 0), mas tendo em conta que ás 3 e meia já é de noite tenho que viver com temperaturas de -4, -5 graus

Na Suécia e por causa da clausula anterior, sair de casa sem calças de pijama debaixo das de ganga (quem não tem ceroulas caça com gato) é sinónimo de que mais dia menos dia o membro inferior cai

Na Suécia vendem Neskuiks mas não vendem Chocapic (isto diz muito sobre um povo)

Na Suécia a única coisa que um homem pode fazer a mais que uma mulher é mijar de pé

Na Suécia todas as pessoas pensam que vivem mal, mas os ordenados deles rondam todos os 2000/3000 euros

Na Suécia os condutores param nas passadeiras, EXCEPTO quando não as conseguem ver devido a estar tudo coberto de neve, resumindo, os Suecos não param nas passadeiras a partir do Inverno (aqui a zebra não podia correr, porque algo em certo sítio não lhe ia bater, porque na Suécia uma zebra não é uma zebra, é um cavalo branco)

Na Suécia o Manuel continua a tirar vintes e eu continuo a tirar quinzes

Na Suécia a minha preguiça para trabalhar é tanta como em Portugal

Na Suécia este post foi aprovado pela sociedade protectora dos posts de merda

Quiz: Quais foram as duas palavras mais repetidas neste poema?