
Á tarde:
Luis: - Vamos ver o filme sueco que vão dar hoje em Nymble?
Eu: - Epa, os filmes suecos que eu vi até hoje são um bocado chatos, mas siga.
Luís: - Não temos mais nada que fazer e pode ser que esteja lá alguém conhecido.
Não estava lá ninguém conhecido, em breve iríamos saber porquê.
Antes do filme:
Eu: - Que filme será? Eles nem sequer dizem o nome.
Luís: - Pois é, se calhar deviamos ter ficado na pousada a ver o Matrix na TV
Eu: - Isto deve ser muita chato. Na volta é um filme de um indiano-sueco com música e gente a dançar.
O filme começa... e que é que vemos? Um cenário muita ranhoso com um palácio a dizer "Bombay dreams" e uma data de indianos à frente dele a dançar! Claro que nos rimos a bom rir. A única coisa que faltava para o efeito cómico total era a música indiana foleira, mas as suecas que estavam a fazer a projecção não tinham conseguido por o som a funcionar.
Claro que à segunda vez que mostraram a cena não teve tanta piada, porque foi exactamente igual à primeira, ou seja, sem som. A terceira também não foi muito melhor... nem a quarta... nem a quinta... mas a sexta já foi diferente, já havia música indiana foleira! Lá acabam a coreografia toda (que nós já sabíamos decor) e a próxima cena tem uma sueca a falar. Em sueco. Sem legendas. Portanto, de seguida o grupo de cinema da KTH presenteou-nos com a oportunidade de ver o menu do DVD do Bombay Dreams e acho que até eu, sem saber sueco, conseguia ter ligado as legendas mais depressa.
Mais ou menos à 10ª tentativa lá começa o filme com tudo em ordem. Percebemos que deviamos ter ficado a ver o matrix. Percebi também porque é que os outros filmes suecos que eu vira eram os que tinham a cotação mais alta no IMDB. Não era tanto a história ser má, essa até era boa (para um filme cujo o público alvo sejam pitas de 14 anos), mas o resto conseguia ser muito pior. Os diálogos eram tão maus que uma pessoa só pode pensar que se perderam frases inteiras na tradução do sueco, alguns actores tinham tanto jeito para aquilo com o Batatinha para fazer de Hamlet e a realização deixava saudades do Ninja das Caldas.
Numa análise geral, vou utilizar a minha classificação e dar ao filme um 3. Ou seja, é preferível levar 3 marteladas na cabeça a ver este filme. Para os interessados, está aqui o IMDB do filme ou um site para comprar martelos.
O mais engraçado foi quando no final do filme vem uma mulher perguntar "So, did you like the movie?". Como é óbvio, ninguém quer chegar a um país estrangeiro e e começar a insultar o cinema deles, portanto ficou tudo calado. Ela insistiu: "Was it good or was it okay?" Lá se ouviu uma voz no escuro a dizer "Well, it was okay". Finalmente, a mulher disse "Because if it isn't any good, we won't show it in Kista on Tuesday, we'll show something else instead". Nesta altura, penso que passou por toda a gente um certo sentimento de compaixão pelos desgraçados em Kista que iriam ver isto e todos devem ter pensado uma 2ª vez em dizer a verdade sobre o filme. Mesmo assim ninguém sentiu amor suficiente pelos desconhecidos de Kista para criticar o filme sueco e o massacre vai ter novas vitimas. Que Deus esteja com eles!


