sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Bombay Dreams


Á tarde:
Luis: - Vamos ver o filme sueco que vão dar hoje em Nymble?
Eu: - Epa, os filmes suecos que eu vi até hoje são um bocado chatos, mas siga.
Luís: - Não temos mais nada que fazer e pode ser que esteja lá alguém conhecido.

Não estava lá ninguém conhecido, em breve iríamos saber porquê.

Antes do filme:
Eu: - Que filme será? Eles nem sequer dizem o nome.
Luís: - Pois é, se calhar deviamos ter ficado na pousada a ver o Matrix na TV
Eu: - Isto deve ser muita chato. Na volta é um filme de um indiano-sueco com música e gente a dançar.

O filme começa... e que é que vemos? Um cenário muita ranhoso com um palácio a dizer "Bombay dreams" e uma data de indianos à frente dele a dançar! Claro que nos rimos a bom rir. A única coisa que faltava para o efeito cómico total era a música indiana foleira, mas as suecas que estavam a fazer a projecção não tinham conseguido por o som a funcionar.
Claro que à segunda vez que mostraram a cena não teve tanta piada, porque foi exactamente igual à primeira, ou seja, sem som. A terceira também não foi muito melhor... nem a quarta... nem a quinta... mas a sexta já foi diferente, já havia música indiana foleira! Lá acabam a coreografia toda (que nós já sabíamos decor) e a próxima cena tem uma sueca a falar. Em sueco. Sem legendas. Portanto, de seguida o grupo de cinema da KTH presenteou-nos com a oportunidade de ver o menu do DVD do Bombay Dreams e acho que até eu, sem saber sueco, conseguia ter ligado as legendas mais depressa.
Mais ou menos à 10ª tentativa lá começa o filme com tudo em ordem. Percebemos que deviamos ter ficado a ver o matrix. Percebi também porque é que os outros filmes suecos que eu vira eram os que tinham a cotação mais alta no IMDB. Não era tanto a história ser má, essa até era boa (para um filme cujo o público alvo sejam pitas de 14 anos), mas o resto conseguia ser muito pior. Os diálogos eram tão maus que uma pessoa só pode pensar que se perderam frases inteiras na tradução do sueco, alguns actores tinham tanto jeito para aquilo com o Batatinha para fazer de Hamlet e a realização deixava saudades do Ninja das Caldas.

Numa análise geral, vou utilizar a minha classificação e dar ao filme um 3. Ou seja, é preferível levar 3 marteladas na cabeça a ver este filme. Para os interessados, está aqui o IMDB do filme ou um site para comprar martelos.

O mais engraçado foi quando no final do filme vem uma mulher perguntar "So, did you like the movie?". Como é óbvio, ninguém quer chegar a um país estrangeiro e e começar a insultar o cinema deles, portanto ficou tudo calado. Ela insistiu: "Was it good or was it okay?" Lá se ouviu uma voz no escuro a dizer "Well, it was okay". Finalmente, a mulher disse "Because if it isn't any good, we won't show it in Kista on Tuesday, we'll show something else instead". Nesta altura, penso que passou por toda a gente um certo sentimento de compaixão pelos desgraçados em Kista que iriam ver isto e todos devem ter pensado uma 2ª vez em dizer a verdade sobre o filme. Mesmo assim ninguém sentiu amor suficiente pelos desconhecidos de Kista para criticar o filme sueco e o massacre vai ter novas vitimas. Que Deus esteja com eles!

Os Romenos que queriam transformar o Manel em almôndegas

Agora eu contava-vos uma história muito engraçada.

Ontem eu e o Manuel decidimos ir ao IKEA para vermos o preço de colchas e material de cozinha, pois estamos prestes a irmos para os nossos quartos.

Como apenas sabíamos em que estação do metro tínhamos que sair eu fiquei incumbido de perguntar a alguém como chegar ao nosso destino enquanto o Manel comprava fruta a uns Romenos.

Enquanto eu perguntava pela estação apareceu me um Romeno que me explicou o caminho para o IKEA e nisto aparece outro Romeno com um ar todo almariado e começam a falar entre eles algo do género :

Romeno 1 -" Ramalalamalaalm ramalalamramarlara"
Romeno 2 - "Raamamamlamalam rlamamamalamalm"

Tradução Livre :

Romeno 1 - "Aquele gajo que ali está a comprar fruta não é o Manel, aquele tuga que se enganou a fazer o plano de estudos dele e do Luís, e escolhou cadeiras que só são leccionadas no 2º Semestre ?

Romeno 2 - " Oh diaxo não é que é mesmo ele ! Vamos transformar o gajo em almôndegas e vende-lo ao supermercado"

Nesta história podemos concluir três coisas:

O IKEA em Estocolmo fica numa zona muito chunga e frequentada pelo típico pedinte com dente de ouro tão popular no metro de Lisboa.

Temos de refazer o nosso plano de estudos, pois aqui na KTH existem 4 períodos de estudo por ano em vez dos típicos 2 Semestres em Portugal, o que gerou alguma confusão na escolha das cadeiras pelo que temos que escolher outras.

Almôndegas com puré é a coisa mais barata que se pode comer na Suécia a par e passo com Cachorros quentes.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Enfrentar o Verão Sueco


Como podem ver pela foto acima, que foi tirada enquanto estávamos a espera que a recepção de Klubbensborg abrisse, até tem estado bastante calor. Temos andado de t-shirt e calções por Estocolmo e mesmo à noite com uma longsleeve não se passa frio.
Não sei como se chama o tempo verbal que usei acima, mas sei que não o devia ter usado, porque de agora em diante, devemos falar do calor em Estocolmo no pretérito perfeito. Como diriam os Monty Python: This heat is no more! It's an ex-heat!. Pois é, não sei que temperatura está em unidades SI, mas na minha escala está definitivamente 'frio'. Para que possam ter uma ideia da temperatura, apresento aqui uma tabela que permite passar da minha escala subjectiva de temperatura para unidades SI:

38:45º Muito calor
30:37º Calor
20:29º Agradável
10:19º Frio
0:9º Muito Frio
-10:-1º Frio do ca*****

Hoje fomos visitar o Tuukka, o Finlandês com quem o Luís vai trocar de quarto, para ir buscar roupa. Como está 'frio', trouxemos as nossas luvas, gorros, casacos, cachecois e ainda todas as longsleeves e sweats que conseguissemos encontrar. O Tuukka é o mais parecido que temos com um especialista em frio, já que o Inverno na Finlândia é mais frio que em Estocolmo, e o Verão não deve ser muito melhor. Como ele diz: In Finland we have a joke: The Finnish Summer isn't very long, but at least it doesn't have much snow.

No outro dia, tinham-nos dito que o ultimo Inverno tinha sido bastante quente e que a temperatura só tinha chegado aos -10ºC, o que já está mesmo a bater no fundo da minha escala, mas hoje o Tuukka referiu que havia gente lá no corredor dele a dizer que este inverno ia ser frio e que devia chegar aos -30ºC. Ora bem, eu não faço a mínima ideia de quem seria esta gente, nem de onde é que eles obtêm a informação meteorológica, mas isto obriga-me a rever a minha escala. Eu nem faço a mínima ideia de qual será a diferença entre -10ºC e -30ºC, mas pelo que o Tuukka diz, com -10ºC os Finlandeses passam bastante tempo na rua and it's quite pleasant, actually, mas com -30ºC já ninguém sai de casa. Pensar em ter de viver numa temperatura à qual ninguém quer sair de casa na Finlândia só me faz querer ir andar ás voltas de carro enquanto despejo latas de desodorizante, para acelerar o aquecimento global.

Portanto, se quiserem ajudar estas pobres almas, nas próximas semanas vamos colocar aqui uma morada para onde podem enviar as vossas botijas de água quente e animais de estimação (de preferência peludos) que possam ser transformados em casacos, cachecóis e outras roupas de inverno. Mas não aceitamos chinchilas, porque são chinchilicas demais para ser transformadas em casacos.

Finalmente, apresento aqui a Adenda de Estocolmo á Escala de Frio do Manel, feita na ignorância alegre do que poderá vir a ser este Inverno sueco:
-20º:-11º Frio do ca*****
-30:-21º Frio do ca*****

É de notar que, de dia as temperaturas geralmente são um pouco maiores que de noite. Infelizmente, no Inverno o dia aqui dura 3h...


(By the way, agora arranjei o dicionário de Português po firefox, portanto os posts devem começar a ter menos erros. Só falta arranjar o Photoshop para as fotos...)

*brag* A Melhor Resposta Que Já Mandei Em Estocolmo */brag*

Sueca: So, where are you from? Spain?
Eu: No, we're from Portugal
Sueca: Oh, Portugal. Portuguese... Spanish... it's all the same
Eu: Yeah, it's like the Swedish and the Norwegian

Crayfish Party

Esta festa foi a coisa mais surreal que nos aconteceu na Suécia. Aqui é costume convidarem-se os amigos para virem a nossa casa comer Crayfish (lavagantes ou lagostins ou whatever) e beber uns copos, e foi exactamente isso que o Halif fez. Eramos cerca de 20 pessoas em casa dele das mais variadas nacionalidades, Japão, USA, Itália, Alemanha and on. O Halif mora naquilo a que podemos chamar de subúrbios de Estocolmo e vive numa casa de madeira mesmo à Heidi e Marco e tem uma varanda brutal no meio das árvores onde a qualquer momento podemos ser devorados por um alce ou um urso polar.

Assim que chegamos tivemos que colocar o chapéu mais idiota que tive na minha cabeça desde que nasci, era um chapéu de cartão com lagostins desenhados e toda a gente ficou com um look extremamente sexy.


Nesta festa basicamente comemos lavagantes (eu nem por isso porque não sou grande fã, mas o Manuel sozinho comeu uns trezentos e noventa e cinco ). Ninguém sabia comer lagostins então um Sueco chamado Sebastien deu se ao trabalho de nos ensinar e aqui vai a receita. Tira-se as pernas, separa-se a cabeça do corpo, partes o corpo e comes uma cena pouco maior que um camarão, chupa-se a cabeça e os mais corajosos partem as pernas e comem o praticamente nada que lá há dentro, de notar que o Manuel me cagou todo enquanto partia pernas de lagostim. Neste momento devem estar a pensar que o Halif é podre da rico para servir cerca lavagantes a esta gente toda, mas além de termos pago cerca de 7 euros para ir à festa, 2 kilos de lagostim custam cerca de 10 euros, e todo o marisco é muito barato, possivelmente por haver aos pontapés por aqui.

Além de comermos falou-se muito mas mesmo muito, e tenho vos a dizer que nunca pensei que um dia fosse ter conversas tão agradaveis com gente de tantos países diferentes. Falámos mais com as pessoas que estavam à nossa volta que por acaso eram todas raparigas e todas de países diferentes, falamos com a Isabella que é Sueca mas é de origiam Coreana, A Aikiko que é Japonesa , Sarah que é Americana, Stephie que é Italiana e encontramos novamente a Sandra (Francesa) e uma rapariga da Estonia.

Falámos dos costumes dos nossos países e do que se come o que se faz o que isto acolotro e coiso e tal. O que vos posso dizer sobre estas pessoas, os japoneses são os maiores parados que existem à face da terra, não percebem Sueco não percebem inglês e parace que foram lobotomizados ou algo do género, são amorfos. A rapariga da estónia era estoina mesmo, basicamente estava parada a olhar para toda a gente, a Francesa faz me lembrar uma Portuguesa que conheço . A pessoa com quem mais falei foi a Sarah, vem do Wisconsin e posso dizer que é uma Americana como vemos nos filmes, peanut butter ,”We have a lot of cows and corn” e não fazem a minima ideia o impacto que a cultura deles tem na nossa. Sobre a Italiana meto a seguinte foto que é a melhor maneira de descrever.

Antes de beber o shnapp (um copo com cerca de 3 dedos de algo que parecia tequilla) tinhamos que cantar uma musica Sueca (bem ao estilo do vai acima vai abaixo e pumba), então nos lá cantarolamos aquilo e bebemos. Depois eles começaram a cantar de novo e beberam. Agora vem a parte interessante, eles fizeram isto 5 ou 6 vezes e eu o Manuel e a Italiana não tinhamos álcool ao fim da primeira canção. Ficámos assim tipo herr isto não era um shot ? Senão era parecia mas só os labregos dos tugas e da italiana é que ficaram sem nada =P

Na foto da esquerda pa direita, Sarah, Aikiko, Stephie a Estoina (não se vê logo o ar de parada?)e ao fundo uns alemães que falaram o tempo todo entre eles em Alemão, como ainda não sei falar Alemão não falámos muito.

O Halif foi buscar a guitarra dele e tive o prazer de cantar O Anzol e A minha casinha mais o Manel com uma plateia de estrangeiros a ouvir

Ninguém refilou e quando toquei metallica despertou o interesse da Aikiko que só sabia dizer Metarica Metarica !! (hey soldier boy, sucky sucky five dollar hahahaha)

Depois falou se mais um bocado ao ar livre e depois foi se para dentro de casa. Ténis fora e lá nos sentámos a falar sobre as diferentes culturas. Lá dentro conhecemos o gajo mais caricato de cá, um amigo do Halif, também com traços asiáticos e que trabalha nos correios da Suécia. Ficam a saber que na Suécia um carteiro recebe 1800 Euros, not bad visto que eu em Portugal como engenheiro se receber metade disso já é muito bom. Este homem tem uma visão muito romantica da vida e não teve o menor problema em expolo em frente a 20 estrageiros e deu para umas boas risadas. A melhor parte de termos conhecido este jovem é que ontem de manhã iamos a sair da nossa pousada e parou uma carrinha dos correios ao nosso lado e ele saiu de lá de dentro e ofereceu nos uma boleia para a estaçao. Só conheço 4 Suecos e já os encontro nas ruas de Estocolmo assim do nada Hurrey !

Ficámos também a saber que os Alemães são conehcidos por roubar sinais de perigo alce na estrada quando visitam a Suécia, e isso foi confirmado quando a seguir entra uma Alemã que não tinha ouvido a conversa e pergunta qual era a multa por roubar sinais porque ela tinha roubado um.

Welcome Party Erasmus

A seguir ao barbecue eu e o Manuel seguimos juntamente com o Antoine para a Erasmus Welcome Party que teve lugar em Nymble (Nymble é o local onde ficam os headquarters da Associação de estudantes cá do sítio).

Nymble é um edifico com cerca de 3 andares e é o lugar onde acontecem todas as festas para alunos da KTH. Para terem noção da dimensão do edificio posso dizer que nesta festa existiam 2 pistas de dança, e na Segunda Feira fomos lá à festa do caloiro e existiam 3 pistas de dança e ainda houve um concerto dentro do mesmo edifico com uma banda Sueca enquanto funcionavam essas pistas de dança.

À entrada tivemos que mostrar a nossa identificação para se certificarem que eramos maiores e assim que entrámos para a festa reparei numa coisa, não cheirava a tabaco, aqui na Suécia e como em outros países não se pode fumar em locais fechados e públicos, e só vos posso dizer que sabe mesmo bem sair à noite não ficar a tresandar a tabaco. Outra coisa a que não devo ficar a cheirar tão brevemente é a Alcóol porque a bebida mais barata ali dentro custava 4 euros, por isso aqui os tugas bebem água até aceitar a ideia de pagar 6 ou 7 vezes mais o preço duma cerveja ou whatever. A música era a típica música de discoteca Lisboeta, com a nuance que estes gajos gostam mesmo de cenas muito mas muito foleiras e cantam nas de braços abertos. Lá dentro tivemos com o pessoal que conhecemos no barbecue e com o nosso brother Halif (o Halif é o Xerife cá do sitio para quem conhece o Xerife do Tagus :D) e mais pessoal. Passado pouco tempo de lá estarmos o Antoine já tava bêbado e a dançar quase sozinho na pista de dança então ficamos a falar com o Sergey. O Sergey é natural da Russia, cidade de São Petesburgo e mostrou-se uma pessoa bastante interessada em Portugal e até agora foi a única pessoa capaz de dizer Luís bem, e tudo isto por causa do grande Luís Figo, grandes personalidade têm nomes iguais =P

Ficam desde já a saber que a diferença entre o estilo de vida Russo e o nosso não difere muito, tudo à balda, memso preço na comida roupa e etc. A maior diferença está no serviço militar que é obrigatório na Rússia, e só quem tem o previlégio de ir para a faculdade é que se escapa, e é o que se passa com o nosso camarada Sergey que do exército Russo apenas tem a dizer o seguinte , (ler com sotaque russo como veêm nos filmes) –“The Russian army is so stupid, they send you to Syberia and then they order you to make bricks out of snow, first you do small bricks, then you do medium bricks, then big bricks, and then.. make more bricks!”

Ficou combinado irmos ao concerto de Machine Head em Dezembro pois o man curte o mesmo género de música que nós.

Ás duas da manhã as luzes acenderam-se e toda a gente bazou, aqui fica mais um pouco sobre a cultura deles, aqui as festas acabam por volta das 2/3 e o metro está aberto até às 3 da manha às Sextas e Sábados que são os dias “oficiais” para sair á noite, nos outros dias não se vê alma na rua como eu e o Manuel temos verificado nas nossas longas caminhadas nocturnas pela capital da Suécia.

Foi uma festa engraçada desde que nos mantessemos longe da música lame deles e pelo menos não passou Anna is a Botten (só de pensar nessa música tremo)

O Barbecue

Na sexta feira por volta das 18 horas fomos para aquela que iria ser a nossa primeira actividade com alunos de Erasmus, um Barbecue num jardim em frente ao um dormitório da faculdade . Era suposto levarmos comida, então resolvemos passar pelo supermercado para comprar algo e qual não foi a nossa surpresa quando nos deparamos com um maravilhoso CHOURIÇO!! O primeiro pensamento foi “Oh meu deus para de me pregar mind tricks”, mas não era nenhum truque, era um chouriço em carne e.. well carne. Tava um bocado overpriced mas mesmo assim achámos que como bons tugas que somos deviamos levar um bom chouriço para assar e um bom pão quase parecido com um pão saloio.

Chegados ao barbecue estavam uns cerca de 30/40 alunos internacionais alegremente a comer pão com salsicha e pão com salsicha, só vos posso dizer que esta gente ama salsicha. Eu e o Manuel não conhecíamos ninguem como era de esperar então metemos conversa lá com um Francês chamado Antoine. O Antoine além de ter um nome tipicamente Franciu é um tipo porreiro e pacato e foi aqui que tivemos a nossa típica conversa de International Student. De seguida encontra-se um template das típicas perguntas que se fazem (Se encontrarem algum já sabem o que perguntar)

What is your name? Where are you from? What do you study? You are going to stay for how long? When did you arrive? Where is your accommodation? Why did you choose Sweden? Is it to different from your country?

Claro que existem mais perguntas, mas estas são aquelas que se fazem SEMPRE mas mesmo SEMPRE que se conhece alguém, mesmo que sintas a milhas que o gajo/a é espanhol ou francês ou marciano.

Quando acabam estas perguntas geralmente existe um silêncio desconfortável com algumas pessoas, e é aí que tento falar de Futebol ou de Música com as pessoas. O Antoine não percebe puto de Futebol, mas percebe de ragby então tivemos a falar um bocado disso e do tempo em Paris. Entretanto o Manuel foi por o Chouriço a assar, e prontamente recebemos um comentário de uma Francesa (sim existem tipo milhoes de Franceses aqui) chamada Sandra que prontamente perguntou – “Is that a new Technic?”, oh minha amiga isto não é uma nova técnica é o manjar dos deuses, e já o Camões dizia “Ir sair à noite em Lisboa e não comer um Pão com chouriço é o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa. Também tivemos a típica conversa da chacha com uma Alemã chamada Aline que ficou muito admirada por eu só ir receber visitas em Novembro, quando ela recebe visitas semanais do namorado e dos pais, oh well aqui é que começamos a ver a diferença de estilo de vida em Portugal para o resto dos países. Lá comemos o nosso belo chouriço assado e só o conseguimos impingir ao Antoine, e não fiquei com certezas se ele gostou ou não. Nisto aparece um gajo da Républica Checa acompanhado por um Russo chamado Sergey. Os gajos estavam todos revoltados porque tinham ficado com um alojamento num dormitório feito de contentores daqueles que costumam haver perto das obras, e segundo consta os canos congelam durante o Inverno.

De notar que este russo Sergey foi das pessoas mais porreiras que conhecemos neste Barbecue.

Next: Welcome Party dos alunos de Erasmus

Primeiro Post - Luís

Olá a todos directamente de Estocolmo também conhecida como a Veneza do norte e onde está um calor do caraças.

O Manuel já focou todos os aspectos essenciais destes nossos primeiros dias aqui na Suécia (que estão a ser muito bons), sendo que neste post me vou limitar a complementar algumas coisas que ele escreveu e adicionar algumas fotos.

O nosso voo correu ás mil maravilhas com a excepção do pequeno stress que eu tive 3 horas antes de embarcar. Estava a falar com o Manuel na net e ele pediu me o meu e-ticket para imprimir, ao que eu respondi “QUAL E-TICKET?”, fui mais cedo para o aeroporto e afinal só precisava do meu número de reserva, mas apanhei um cagaço daqueles.

A única coisa que podia ser pior do que ficar sem comer pão com chouriço durante 4 meses só podia mesmo ser não poder voar só com o número de reserva.

Chegados a Estocolmo encontrámos o meu “buddy” Halif que faz parte da International Students Service da KTH, ele é natural da Suécia mas os pais dele são da Malásia logo o Halif é aquilo que podemos descrever como um Chinoca Sueco. É um tipo porreiro e bastante prestável e com uma maneira muito engraçada de falar, penso que um dos nossos primeiros comentários foi “Este man fala mesmo à PIMP” (é o fem kronor cá do sitio (algo tipo 50 cent mas com conversão para coroas suecas HAHAHA)).

O primeiro sítio onde fomos foi a pousada onde ficámos para podermos deixar as malas. O Manuel descreveu da melhor maneira aquilo que sentimos, mas esqueceu-se de realçar que a primeira coisa que nos disseram foi “Take your shoes off” mas isto dito por um china com ar de manfias soa ameaçador. Inicialmente pensei que tinha ido parar a um templo budista ou algo do género mas afinal é mesmo uma tradição Sueca a de se descalçarem quando se vai a casa de alguém (por causa da neve explicou-nos o Halif mais tarde)

aqui ficam umas fotos da pousada


Assim que saimos da pousada davamos de caras com aquela coisa bonita lá ao fundo (ainda não sei o que é mas penso que seja uma igreja, no meu guia nao é mencionado), de notar que a arquitectura aqui em Estocolmo é mesmo muito bonita, mas em posts futuros ponho fotos da cidade e alguma história da cidade.


“Take your shoes off or i will kill you” (ler isto com sotaque chinoca ameaçador)

Depois da pousada fomos dar uma volta pelo centro da cidade

Os suecos chamam a isto “a praça” e é um dos pontos de encontro da cidade. Nesta foto pode-se ver o “cristal vertical de vidro e aço” ao fundo, durante a noite aquele “monumento” fica espectacular todo iluminado. Ainda lá mais ao fundo dá para ver um relógio enorme que durante a noite se vê de montes de pontos da cidade e pertence a uma companhia de roupa NK (penso eu) . Do lado direito está o centro cultural onde existe uma biblioteca de BD, algo que me deixou algo espantado pois nunca tinha ouvido falar em tal coisa, e em redor devem existir umas 23459872345789375345 H&M (sick bastards, existe uma H&M em cada esquina desta cidade)

De seguida fomos ainda a KTH, e só posso dizer que aquilo é uma faculdade enorme, se disser que é do tamanho de metade da Serra das Minas não estou a mentir, e de certa forma faz me lembrar Hogwarts (para quem não sabe é o castelo onde o senhor Henrique Portas estuda), pois é composta por edificios antigos e com montes de estátuas, mas mais tarde se fará um post sobre ela.

Ainda no primeiro dia encontrámos-nos com um Finlandês chamado Tuukka que é a pessoa com que eu troquei o meu alojamento, e seguimos para Tyreso (o sítio onde vou viver) para podermos deixar o nosso “heavy weight”. Sobre o alojamento só posso deixar a minha primeira impressão que foi brutal, adorei a localização, fica a cerca de 20 minutos do centro da cidade e tem um ambiente mais “country” muito mais calmo, o quarto em si era muito amplo e tava completamente mobilado. De notar que este dormitório fica no 3º andar de um prédio em que no 2º andar funciona um hospicio :D. Segundo consta existe muita festa em Tyreso, e para comprovar isso o Tuukka convidou-nos para um karaoke que ia haver no Sábado (não fomos porque fomos a uma Cray Fish party em casa do Halif, mas isso fica para outra ocasião porque essa festa foi uma das cenas mais cómicas de sempre).

Agora vou aqui deixar algumas fotos de Gamla Stan (cidade velha) for your viewing pleasure

Depois farei um post em que explico o que é o quê nestas fotos, mas na primeira vesse a camera funerária onde estão sepultados montes de reis Suecos, o Manuel com uma das fachadas do palácio dos Kings por trás, o 1º hotel 5 estrelas da Suécia e depois MAR, aqui há água em todo o lado, e o melhor é que Não cheira mal. E como podem ver andamos de calções e t-shirt por cá, frio nem vê-lo (por enquanto =P)

Para finalizar aqui fica o melhor local nocturno de Estocolmo onde toda a acção se passa

MUSSULU, WA WA WA WABA

Na just kidding, não sei o que é, mas se o Mantorras cá vier deve ser bem recebido lá (local bem grifado para os mambos funanás)

Next : Welcome party e Crayfish party

Abraço Camaradas



A Migração


Como já estava planeado, mudámos-nos do nosso hostel no centro da cidade (o City Lodge Hostel, para quem estiver interessado) para um na periferia, e isto aqui é lindo! Estamos num parque de campismo no meio das árvores e à beira do rio, que também tem algumas casinhas para alugar e um hostel que, basicamente, é uma casa grande (assombrada).
Para os interessados, o hostel chama-se Klubbensborg e fica perto de Mälarhöjden, um subúrbio com ar de ser zona rica. A estrada de Mälarhöjden para o parque está cheia de casas de madeira, do estilo das que se vê nos subúrbios do EUA nos filmes e é tudo muito calminho e cheio de árvores por todo o lado.
Falta agora explicar-vos a casa assombrada. O que acontece é que apesar do hostel ser uma casa com uns 4 andares cheia de quartos, nós somos as únicas pessoas lá. Isto tem a vantagem de que temos um quarto só para nós, mas também faz com que isto pareça o setting de um filme de terror foleiro. Para este efeito contribuem também as seguintes coisas:

  • Portas trancadas - os outros quartos estão trancados, portanto não sabemos o que está lá dentro. No melhor caso não há lá nada ou um grupo de suecas a fazer uma orgia, mas provavelmente há cadáveres (que poderão ou não mexer-se), fantasmas e/ou espíritos semelhantes.
  • O casal misterioso - quando estavamos na cozinha, apareceu um casal á porta a perguntar onde era a recepção, o que é normal, pois nós também confundimos esta casa com a recepção. Mas passado um bocado, vimos o casal a voltar da recepção, passar em frente da janela, ir na direcção da porta e depois ouvimos o barulho da porta a abrir. Nunca mais os vimos ou ouvimos.
  • Nomes dos quartos - os quartos aqui não têm número, têm um nome e, não sei porquê, não consigo deixar de imaginar que o Gustaf Retsius e a Emelie Retsius foram assassinados brutalmente e os seus corpos nunca encontrados.
  • As cortinas - o quarto tem umas cortinas á frente de uma porta que dá para uma varanda. Sempre que as abro estou á espera de ver o casal misterioso, com um ar mais cadavérico do que seria saudável, a olhar para mim, possívelmente com os olhos completamente brancos ou pretos e a emitir um qualquer som fantasmagórico. Outras hipóteses são o casal-fantasma Retsius, um maniaco com um cutelo na mão ou outro bicho com um ar menos alegre.
A única coisa que faz isto parecer menos um filme de terror é o facto de estarmos sozinhos, o que impossibilita o habitual banho de sangue que acompanha a luta pela sobrevivência de uma ou duas personagens mais afortunadas. De qualquer forma, durmo com o Devilstick ao lado da cama, porque uma coisa com este nome só pode ser boa para mandar qualquer demónio para o seu descanso eterno.

sábado, 25 de agosto de 2007

O Primeiro Post - Manuel

Julgavam que ia já estar aqui uma foto de uma sueca, não? Apreciem é a beleza arquitectónica e o rio.


É na tarde deste terceiro dia da nossa estadia em Estocolmo (que parece já durar uma semana) que fazemos os nossos primeiros posts neste blog. Eu decidi separá-lo em várias partes, pois o que já vimos até agora dava pelo menos para 8 posts e 3 relatórios de PP.


A viagem

Apesar de não querer que este blog se torne uma narrativa da nossa estadia aqui, penso que essa será a melhor maneira de descrever a viagem.
A nossa viagem começa um pouco antes das 2.35, a hora em que o nosso avião saiu de Lisboa. Um dos heróis da nossa estória, o Luís Pedro, teve que ir para o aeroporto bastante antes, pois temia-se que o bilhete dele se tivesse perdido no sistema informático da KLM (os informáticos têm muito pouca confiança nestas coisas). Mas estava tudo bem com o bilhete, e até acabou por ser bom isto ter acontecido, porque assim o nosso outro herói, o Manuel Cabral, pode ultrapassar uma data de gente na fila do check-in. Quanto a este tópico, posso deixar já aqui uma curiosidade: os Suecos gostam de fazer filas.
Passado um pouco, começámos o vôo, onde nos deram comida. Após uma pequena paragem em Amsterdão, seguimos para Estocolmo, onde nos deram mais comida. Bem, ao menos não passámos fome. Quando chegámos a Estocolmo podemos reparar que isto aqui tem muitos rios. Muitos rios e muitas árvores. Bem, nada que não se estivesse a espera.
Apanhámos o autocarro do aeroporto de Arlanda para o centro de Estocolmo, que demora uns 40min. Aí pudemos reparar numa coisa um bocado mais estranha: estava um calor do caraças. Outra coisa estranha são as pessoas a andar de bicicleta. Especialmente quando vão de fato, vestido ou a carregar encomendas. Na estação central de estocolmo (que, muito inteligentemente, se chama T-Centralen) encontrámo-nos com o Halif, o mentor do Luís da Malásia. O Halif é um tipo com um estilo engraçado.
Fizemos check-in no hostel onde nos esperava um Chinês com ar de ter saído das triades ou pior. O Chinês tinha um ar tão mau que conseguiu fazer com que um dos sitios mais pacatos onde já estive parecesse um dos piores becos de Lisboa.
A seguir o Halif levou-nos a dar uma voltinha por Estocolmo, e penso que se pode considerar que acaba aqui a nossa viagem.


Bem, agora em vez de continuar a narração como anteriormente, vou apenas referir algumas curiosidades e confirmar/bustar alguns mitos sobre isto aqui:

Coisas que há em Estocolmo
  • Sol - é verdade, ainda não temos nenhuma foto de nós a passear por Estocolmo de calções e chinelos, mas acreditem, isto até é quente.
  • H&M - eu não sabia que a H&M era sueca, mas é. Há ruas que têm umas 3.
  • MacDonald's - os preços no MacDonald's até não são nada de especial. Têm hamburguers e chickenburgers a 1€ e menus a 5€.
  • Coroas suecas - só para esclarecer o ponto anterior, não é mesmo 1€ e 5€, são SEK10 e SEK50.
  • Suecas - well duh
  • Suecas no MacDonald's
  • Mesas no MacDonald's viradas para a parede de vidro para ver as suecas a passar na rua.
  • Supermercados (kinda) baratos
  • Chouriço - ah pois, adivinhem lá quem é que tava a comer pão com couriço no barbecue dos estudantes internacionais.
  • Alcool caro comó petroleo - o alcool só pode ser vendido em lojas do estado chamadas Systemboläget (acho que o acento está no sitio certo). Muito comunista. O problema é que uma garrafa de vodka custa 25€. Em bares and stuff desconheço, mas ontem fomos a uma festa de estudantes e uma cerveja era 4€. Oh well, em Estocolmo fica-se sóbrio :P
  • Ruas limpinhas - ao início pensava que isto era porque os suecos não atiravam lixo para o chão, mas a rua ás 2 da manhã parecia a lixeira de Tires, por isso se calhar há é muita gente a limpar a rua.
  • Gente porreira - as pessoas são todas muito simpáticas, e metem conversa sem problemas. Não sei de onde terá aparecido o mito que os nórdicos eram pessoas muito frias. Quer dizer, provavelmente há de ter a ver com a temperatura aqui no inverno.
  • Edificios bonitos - acho que o Luís vai por aqui umas pics que tiramos hoje de manhã na parte velha da cidade, portanto não é preciso falar-vos muito disto.
  • Gós e Emos - pois é, andar em Estocolmo vestido de preto não é assim muito original.

Bem, isto já está bastante extenso. Decerto que me esqueci de muitas coisas, mas depois serão postas á medida que me lembre.
Queria termianr isto com uma quote de um Russo que nós conhecemos ontem, o Sergey (tem que imaginar isto com uma pronuncia sovietica):
"In Russia the army is so stupid. They take you to Siberia or some other cold place and make you build bricks out of snow!"