sábado, 29 de setembro de 2007

Tyresö

Este post inicialmente iria chamar-se A minha casinha, mas como achei que apenas mostrar fotos do meu quarto seria algo pouco produtivo optei por fazer um post sobre o meu quarto e sobre todos os habitantes desta bela localidade que é Tyresö

1º que tudo a minha morada

Luís Pedro
Industriv 13, 4tr 6411
codigo postal : 135 40 Tyresö
Sweden

Se alguém me quiser enviar cuecas ou soutiens para autografar, este é o sítio, se preferirem podem mandar vodka vinho ou qualquer coisa assim parecida para temperar a carne e para desinfectar as feridas porque não temos nenhum kit de primeiros socorros (eu estou a falar a sério, se alguma alma caridosa quiser mandar felicidade engarrafada está à vontade)

Agora o meu quarto:



Penso que as imagens falam por si, mas que mais posso dizer, gosto bastante do quarto que me calhou, é bastante amplo, tinha bastante mobília, uma cama decente, um cadeirão porreiro, e 2 aquecedores com quem eu gostaria muito de fazer amor pois são as coisas mais fofas do mundo. Quando digo que tenho muito espaço, é mesmo muito espaço, se alguém tiver interessado em vir visitar Estocolmo apite, tenho espaço para umas 4 pessoas no chão, é só trazer o saco cama que por aqui existem colchões da comunidade para quem recebe visitas.

Agora Tyresö 24 hour party people ou os meus vizinhos:
(estas fotos são cortesia do outro português que habita aqui chamado Sérgio, aqui fica o link para a galeria de fotos dele http://picasaweb.google.pt/a.sergiocardoso )

Os meus capangas, José (Espanha) e Matas (Lituânia), posso-vos dizer que são das pessoas mais porreiras que tive o prazer de conhecer

Rosa (Catalunha) , Nagoire (País Basco) e Maider (País basco)

Bélen (catalunha)

Alecssandro, o Italiano que não sabe fazer pasta, não gosta de futebol nem de Ferrari
Dário, o Italiano que apanhou um peixe de 70 cm no lago de Tyresö
Matias (Austria), Benjamin (Alemanha) e o gajo que estuda Óptica (Alemanha)

Giorgios (Grécia) AKA o Macho Latino o azeiteiro mas apesar de tudo um porreiraço
Esquerda pa direita : Tuukka (Finlandia) o gajo que me deu este quarto, um random Alemão, Markus o austríaco mais porreiro do mundo, Benjamin atrás dele, Clemens (Áustria), Marcel (Alemão), Agnezka (Polónia), Beatriz (Espanha), Dário e Alecssando de novo, random Russo, Maider, José e Giorgios

Todos em frente a nossa casinha a ala Psiquiátrica de Tyresö (a sério, no 2º andar funciona uma ala psiquiátrica)

Hoquei de corredor:
5 sticks, uma lata de atum, horas intermináveis de diversão

Carlos (espanha), Luís (Portugal), Valentin (França)

Maider, Valentin, Maité (frança) e Eu

Boa disposição (uma constante por estes lados)

Faltam fotos de muita mas mesmo muita gente, mas estas foram tiradas em Agosto, nem eu estava cá, mas penso que seja uma boa introdução das pessoas com quem vivo.



Adeus, despeço-me com amizade

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Bicicleta

Como já tinha dito, uma das coisas que alguém deixou no meu quarto era uma bicicleta. Apesar de ter um ar um bocado velho e destruído, a consultora 'Luís Pedro & Co' concluiu que estava num estado reparável. Infelizmente, uma das coisas que nunca nos passou pela cabeça trazer para aqui foi uma caixa de ferramentas, mas como bons engenheiros Portugueses desenrascados, não pudemos deixar que isso fosse um problema.
Felizmente, o IST também nos deu formação em gestão, e pudemos planear este projecto com todo o rigor necessário.

Orçamento do projecto de reparação da bicicleta
Câmaras de ar : 2x 29kr

Chave inglesa : 20kr
Bomba de ar :cravado
Pastilhas para os travões de trás : 35kr
Kit de chaves sextavadas : 25kr
Tranca e cadeado : 40kr

Custo total : 178kr (uns €20)

Depois de se substituir as câmaras de ar e fazer mais algumas reparações menores, a bicicleta andava. O único problema era para parar. Como ter uma bicicleta assim aumentava para aí em 800% a probabilidade de eu morrer num acidente de viação, também reparámos os travões de trás, o que reduziu isto para uns 300%. Claro que reparar os da frente também tirava a emoção toda da coisa.

Agora que tinha uma bicicleta e parecia um verdadeiro Sueco, fui explorar um bocado Sundbyberg, a terra onde eu vivo, e encontrei um sítio muito bonito que tem dois lagos com árvores e relva à volta. Como qualquer pessoa com o Google Earth pode constatar, espaços verdes é coisa que não falta em Estocolmo e arredores.


Timeline dos eventos depois de 5ª feira, 13 de Agosto

15 de Setembro, Tarde: Manuel Cabral vai dar mais uma volta de bicicleta até ao parque e apanha uma grande molha quando decide voltar para casa enquanto estava a chover, isto porque estava farto de esperar que a chuva passasse, já que os Suecos todos ignoravam a chuva e continuavam a passear como se nada fosse.

15 de Setembro, Noite: Festa de uns Espanhóis em Kista, havia sangria.

16 de Setembro: Manuel Cabral acorda no dia a seguir à festa para ir no cruzeiro para Mariehamn com Luís Pedro.

17 de Setembro, tarde: Regresso do cruzeiro.

18 de Setembro, manhã: Ao sair de manhã para as aulas, Manuel Cabral repara que a bicicleta tinha desaparecido do parque em frente ao número 9 de Vasagatan. Como os eventos dos últimos dias estavam um pouco enevoados, ainda fica a pensar se a terá levado para a algum sítio e deixado lá, mas examinando vestígios deixados no local (nomeadamente, um cadeado e uma corrente) acaba por concluir que a bicicleta fora roubada.

Algumas pessoas nos media culpam Manuel por ter deixado a bicicleta sozinha (apenas acompanhada pelas outras bicicletas) enquanto foi num cruzeiro, e por nem saber se a bicicleta desapareceu durante esses dias ou nos dias anteriores.

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Pois é verdade. "Venham para a Suécia", diziam eles. "País seguro", diziam eles. Uma pessoa vive 21 anos em Portugal sem ter nenhum problema e na Suécia roubam-lhe a bicicleta em duas semanas. Parece que não devia ter poupado no cadeado.
O que ainda não consegui perceber é porque é que foram roubar uma bicicleta que nem travões da frente tinha e que estava num estado "todo fodido", especialmente quando havia outras lá ao lado que nem cadeado tinham. Uma das teses que surgiu é que ela já tinha sido roubada pelo antigo ocupante do meu apartamento e que o dono a encontrou.
Bem, a única coisa que posso esperar é que o filho da puta de sueco que a roubou se tenha enfaixado num autocarro por não conseguir travar.

Mas o pior disto tudo foi a actuação da polícia Sueca. No dia seguinte dirijo-me à esquadra no centro da cidade (sim, porque a esquadra desta terra fecha ás 4ªs e fins-de-semana, e nos outros dias só trabalha até as 15) e forneço uma descrição completa da bicicleta. Claro que o mínimo que eu esperava era que viesse uma equipa do género CSI examinar o local do crime, que eu deixei intacto com tanto cuidado, mas não! Se os media Ingleses disseram tão mal da PJ, nem imagino o que diriam destes aqui. Nem análises forenses, nem buscas, nem sequer as fronteiras fecharam! Tanto quanto eu saiba a minha bicicleta já pode estar numa rede de tráfico de bicicletas na Europa de leste.
Eu devia era ter contactado a embaixada Portuguesa para pedir que enviassem ajuda da nossa polícia, já que a Sueca teve esta actuação vergonhosa perante um crime destes. Além disso, de certeza que era mais útil ter a PJ à procura da minha bicicleta do que da criancinha que já deve ter sido cortada aos cubos e passado pelo sistema digestivo de uma vara de porcos.

De qualquer forma, temos que criar uma onda de solidariedade para conseguir recuperar a minha bicicleta! Peço que espalhem este cartaz o mais que conseguirem, juntamente com umas fitas verdes que, ao que parece, também ajuda.


Além disso, depositem o que poderem na minha conta de apoio e enviem por correio flores, mensagens de apoio, vodka e chouriço. Como sabem, a vida de uma bicicleta não tem preço, mas toda a ajuda é boa.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Hamburgueres

Hoje fui mandado calar numa aula, pois aparentemente estava a fazer muito barulho. Ficam já a saber que a culpa é do Manuel, pois fez me ficar exaltado numa acesa discussão sobre hamburgueres. Como é que hamburgueres podem originar uma discussão? Eu passo a citar a nossa conversa:

Manuel - Epah, tenho que fazer para ai uns 5 hamburgueres para comer de enfiada por que eles não cabem no congelador e estragam-se.
Luís - Compra hamburgueres frescos em vez de esses míseros hamburgueres congelados
Manuel - Tás te sempre a queixar da guita que gastas em comida e depois armas-te em fino e comes hamburgueres frescos
Luís - Mas acabo por gastar o mesmo dinheiro em hamburgueres frescos que tu em congelados
Manuel - Mas quando compras congelados vêm mais
Luís - Mas cada um dos Frescos vale por 2, além de que sabem a algo mais do que almondegas com forma de hamburguer
Manuel - Mas os congelados são mais baratos
Luís - Mas os frescos sabem me melhor
Manuel - Mas os congelados são mais baratos
Luís - Mas eu não tenho prazer em comer os congelados
Manuel - O preço por quilo dos congelados é menor que o dos frescos (uma pequena variação da frase Mas os congelados são mais baratos)
Luís (já exaltado) - NÃO QUERO SABER SE OS FRESCOS SÃO MAIS CAROS PORQUE SÃO MELHORES

Erik (professor) entra em cena e mostra me o dedo em frente a boca em sinal de CALA-TE

Discutir hamburgueres com o Manuel é o mesmo que falar de amor com uma boneca insuflável

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Mariehamn (Terra da Maria)

Em jeito de continuação do último post, e após ter recebido uma queixa do serviço de turismo Finlandês após ter acusado a terra deles de não ter nada para ver sinto-me forçado a fazer um post em que mostro a meia dúzia de coisas que a ilha tem para se ver.

Mas primeiro que tudo alguns factos sobre a ilha

Mariehamn é a capital de Åland um território autónomo sobre custódia Finlandesa. Apesar de ser parte da Finlândia fala-se Sueco por lá e tem cerca de 11.000 habitantes que devem de morrer de tédio com tanta coisa para fazer

Agora vamos ver o que Mariehamn tem:

Tem uma placa com o nome da terra



Tem uma Storgatan (rua comprida)



Tem uma igreja no fundo dessa rua



Tem um banco engraçado



Um porto com barcos



Uma escola (onde nós por momentos achámos que iamos encontrar o chinês atrás de criancinhas)



Um tempo algo merdoso e muito frio =P


Nesta foto podemos ver 2 Senhores. Eles são os responsáveis pelo clube de jogging que todas as semanas se junta para ir apanhar gambozinos ás 7 da manha. Just kidding, foram eles sozinhos que construíram a igreja e estão apenas a descansar pa foto. Não agora a sério, são os donos do barco que tá na foto abaixo. Na ok, são só uns traficantes de droga finlandeses mas que falam Sueco.

(ok não sei quem são)



E este barco é o orgulho da cidade, dá pelo nome de Pommern e é um de quatro barcos chamados Flying P liners e eram usados para transportar qualquer coisa de algum lado para algum lado até à segunda guerra mundial. Os outros estão algures parados como este aqui que está parado, algo comum por estas paragens (repararam no uso do termo parado em conjunto com nestas paragens ? genial)

O telemóvel do Manuel nunca se sentiu tão em casa como neste dia




Mas é um sítio bonito, assim como as ilhas que se podem ver durante a longa viagem pelo Báltico, tão longa que deu para o Manel dormir e para eu escrever a minha composição sobre Portugal em Sueco, e até consegui ficar enjoado pois o raio do barco ia a voar em cima das ondas e aquilo parecia um carrossel

A isto podemos mesmo chamar uma casa no meio do nada consigo imaginar o seguinte diálogo entre os esquimós que eventualmente lá consigam estar dentro mais de 2 horas sem congelar "Oh querida acabou-se o gás e agora?" , ou algo tipo "Ao menos aqui a cerveja está sempre fresca"



E por fim aqui fica uma foto pa posterioridade destes Tugas armados em Vikings algures no meio do Mar Báltico



Por hoje é tudo, nos próximos episódios teremos imagens da minha casa, a bicicleta do Manuel, hockey no corredor de Tyresö e a festa de sexta também em Tyresö e o relato de como quase caímos ao mar a caminho de Helsinki

Cafuna Funana over and out estou assado !

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Åland (só para ter um caracter esquisito no título do post)


Como devem ter reparado, o post sobre a minha bicicleta voltou a ser adiado. Para os mais distraídos, chamo a atenção que o veículo que está na foto acima não tem pedais, pelo que não pode ser a mencionada bicicleta. Este monte de metal flutuante é sim um dos barcos de cruzeiro da Viking Line.
Como já devem estar a adivinhar, este post deverá ser sobre uma viagem que nós fizemos neste barco. Por uns momentos é possível que pensem "Mas pera lá, eles só andam a comer salsichas do EuroShopper, não têm dinheiro para um cruzeiro. O barco deve ter é ido contra a casa de um deles ou assim", mas não! Este post é mesmo sobre um cruzeiro que nós fizemos, ou mini-cruzeiro, já que só durou 2 dias.
Tendo todos vocês uma grande consideração por nós, não iriam pensar que nós nos andamos a dedicar a negócios menos lícitos como, por exemplo, a prostituição ou assaltos, para pagar isto. Portanto já devem estar a adivinhar que nós ganhámos os bilhetes de alguma forma. E mais uma vez, estão completamente certos. O que se passa é que a Viking Line tem uma promoção em que qualquer pessoa, desde que consiga preencher um formulário e navegar por um site em Sueco, pode reservar viagens de borla para vários destinos, mais particularmente, Helsínquia, Turku e Mariehamn. Foi para este ultimo local que fizémos a nossa primeira viagem na Viking Line.

A Ida
Foi assim que no dia 16 do mês de Setembro do ano de nosso senhor de 2007 estávamos a caminhar desde Slussen até ao cais de embarque da Viking Line. Foi aqui que tivemos o primeiro evento merecedor de nota desta nossa viagem, ao encontrarmos um senhor com ar de asiático que nos tentou dizer alguma coisa sobre as malas. Lá o conseguimos despachar com alguns "yes, ok. thanks!", seguimos na direcção contrária à que ele estava a indicar e assim estávamos no sítio onde se esperava que começasse o embarque.
Foi aqui que notámos que estávamos a ser seguidos pelo tal senhor asiático, a quem nos iremos referir daqui em diante como "chinês".
O chinês era uma personagem um pouco caricata, pois quando não estava a seguir alguém pelo convés, é porque estava sentado ao lado de alguém a olhar fixamente para ele, ou ao pé de um grupo de pessoas a tentar ouvir a conversa delas. Foi assim que esta personagem, já estava rotulada como "chinês", ganhou também o rótulo de "psicopata".


Chinês psicopata

Depois de embarcar fomos ver a nossa cabine e deixar lá as nossas coisas. Como o bilhete foi oferecido, podem imaginar que a cabine não era propriamente muito luxuosa. Ficava no andar mais baixo do barco, abaixo mesmo dos andares onde levam os carros.
Mesmo assim, tinha uma duas camas, uma mesinha com cadeiras e uma casa de banho, e até era bastante confortável e acolhedor. Bem, a cavalo dado não se olha o dente, e já paguei mais para dormir em sítios piores.
Claro que quando íamos a sair da cabina, vimos o chinês a passar no corredor e rezámos para que ele não nos fosse bater à porta com um machado durante a noite.

Depois decidimos ir dar uma volta pelo barco e bebemos uns copos de champanhe à borla no bar enquanto víamos a partida pela janela. Muito fancy, foi o mais que nos parecemos com ricos num cruzeiro. Daqui para a frente foi sempre a descer...

Nesta altura é relevante explicar porque é que se oferecem viagens neste barco, pois isto está intrinsecamente ligado à razão do "sempre a descer". A razão principal é muito simples: Tax Free Shop. O meu conhecimento sobre direito internacional não é muito grande, mas o que se passa é que no barco se podem vender bens sem pagar imposto. Isto é especialmente relevante para os bens que têm um imposto alto (especialmente na Suécia), ou seja, álcool e tabaco. Além disto, também há os restaurantes e bares, e ainda as máquinas de jogo que estão espalhadas por todo o navio. Resumindo, este barco é um autêntico antro de perdição flutuante, mas ao menos tem vodka a um preço aceitável.

Foi assim que chegou ás nossas mãos por 7€ uma garrafa de 50cl de Koskenkorva de maçã com 37.5%, mesmo a tempo da hora do jantar. E este jantar não foi um jantar qualquer, pois além da Koskenkorva tínhamos um alimento vindo especialmente da nossa bela terra mãe, como podem ver na foto.

Jantar

Depois deste momento em que a gastronomia Portuguesa e Finlandesa se misturaram, decidimos que deviamos arranjar sprite para juntar à Koskenkorva. Desta alquimia resultou uma combinação que havemos de repetir muitas vezes.

No barco também havia uma conferência com uns quantos expositores, por isso aproveitámos para roubar umas canetas, rebuçados e mochilas. Foi tam
bém aí que enchemos um copo de plástico com amendoins que estavam a oferecer, que depois acompanhámos com as nossas sprite-kosenkorvas-de-maçã.

Fomos à cabine reabastecer de bebida e vagueámos pelo barco. Vimos umas quantas bandas a tocar e depois chegámos a um local bastante mais divertido: o Karaoke.
Nesta altura devo explicar que, como era domingo, quase toda a gente neste barco tinha mais de 50 anos, sendo que os jovens vão normalmente ás 6ªs e sábados. Apesar da baixa percentagem de gente desta faixa etária que vai para o karaoke, o elevado número deles a bordo fez com que os mistérios da matemática e estatística ditassem que aproximadamente 50% das pessoas que estavam no karaoke faziam parte deste grupo.

Mas a outra metade gostou muito de nos ouvir cantar a Enter Sandman...

A Koskenkorva fez com que eu decidisse começar a nossa performance com uma dica patrocinada pelo nosso leitor Nizar: "Boa noite! Alguém aqui fala português? Não!? Então vão todos para o c******!". Depois disto, o Luís segurou o microfone pelo fio e começou a andar com ele a volta, o que fez com que o microfone em si se desprendesse do fio e voasse uns 2m na direcção do público. Mas por esta altura, já estava quase a acabar a intro da música e podiamos começar a arrasar aquilo. Tanto arrasámos que a meio da musica veio um outro individuo aos saltos e me roubou o microfone, gritando depois algumas coisas para ele, que não eram nada a letra da música.
Resumindo, foi um grande sucesso, como se pôde notar pelos aplausos no final da música. Ainda nos inscrevemos para ir cantar outra música, mas teria que ficar
para a próxima.
Depois de ter passado o melhor momento da noite, ainda ouvimos um bocado de uma banda qualquer a tocar umas coisas e passámos pela disco. Depois fomos dormir 3h, até o barco chegar a Mariehamn.


Mariehamn

Já muitos filósofos, pensadores e escritores afirmaram e reafirmaram "Não é o destino que importa, mas sim a viagem que se faz para chegar a ele" ou alguma variação disto. Podia filosofar e discutir aqui se isto será
mesmo verdade ou não, mas numa viagem para Mariehamn isto não é necessário. Mesmo que a viagem fosse feita a remar uma galé, devia ser bem melhor que o destino. O Luís vai falar mais sobre tudo o que existe em Mariehamn, mas este vídeo resume-o bastante bem.


Para ser honesto, até parece ser um sítio calminho e simpático, mas não tem assim muita coisa.)

A Volta

Durante o regresso, aproveitámos para ver a bela paisagem que é o arquipélago de Estocolmo.


É um pouco difícil ver neste screenshot, mas o arquipélago de Estocolmo, por onde o barco passa no caminho para Mariehamn, é o maior da Suécia e tem mais de 24.000 ilhas. Portanto, o barco ficou durante 3h a passar pelo meio de todo o tipo de ilhas, ilhéus e ilhotas, algumas enormes, outras que não são mais do que um calhau no meio do mar. Algumas delas têm casas com barcos atracados lá perto, que devem ser casas de férias de suecos. E claro que isto é a Suécia, portanto a maior parte das ilhas estão cobertas de árvores. Infelizmente, não consegui arranjar nenhum vídeo aéreo do sítio, mas está aqui uma foto.

Este cenário repete-se durante uns 50 quilómetros ou mais.

E assim foi a nossa primeira viagem na Viking Line. Mariehamn é um sítio um bocado parado, especialmente ás 9 da manhã, mas a viagem foi muito divertida, apesar dos passageiros do barco parecerem um bocado saídos da Praça da Alegria no Dia dos Avós.
Não percam para a semana a reportagem sobre a viagem a Helsínquia.

domingo, 16 de setembro de 2007

Low Content Post #1

Bem, era suposto isto ser um post muito educativo e interessante sobre a bela bicicleta que estava aqui abandonada e que eu reparei, mas tal post é importante demais para não ser acompanhado por uma reportagem fotográfica, e como a minha câmara foi raptada, levam em vez disso com os ramblings de alguém que já devia era estar a ir para a cama, mas a quem a fome obriga que fique à espera que o pão semi-cozido do ICA (que está no forno) esteja bom para levar com manteiga de amendoim em cima (acreditem, eu tentei arranjar uma tradução boa para Português de "ramblings" durante 5 minutos e não cheguei a nada melhor que "desvarios", que penso que não exprime tão bem o que quero dizer como a palavra em Inglês) .

Ora bem, como já devem saber os leitores mais assíduos, existe uma "conversa standard" que se pode ter com qualquer estudante internacional e que garante, pelo menos, meia hora de conversa sem silêncios desconfortáveis. Segundo as palavras do grande poeta Português Luís (não o de Camões, semi-cego, mas o Pedro), a conversa é alguma coisa como:

What is your name? Where are you from? What do you study? You are going to stay for how long? When did you arrive? Where is your accommodation? Why did you choose Sweden? Is it too different from your country?

Claro que cada uma destas perguntas dá normalmente origem a uma nova sub-conversa. Um exemplo típico disto é logo a pergunta "Where are you from?". Alguns exemplos de respostas típicas mais comuns e subsequentes contra-respostas são:

"France": "Oh, I think that's a very beautiful country."
"Spain": "Pues, yo hablo um poquito de Castellano tambien"
"Germany": "You must be used to this cold, then"

Mas hoje fui confrontado com uma situação nova, numa festa em Kista. Para os menos versados em nomes de terras suecas, Kista é onde se situa a nossa universidade, mais concretamente, num polo tecnológico que lembra o Taguspark. Claro que em Portugal, isto seria um sítio como qualquer outro, tirando a elevada concentração de geeks, mas na Suécia isto implica que o sítio esteja cheio de Indianos, Chineses e Árabes.
Foi aqui que, quando ao perguntar a uma senhora, que nem lenço na cabeça tinha, de onde é que ela era, pois já sabia o seu nome e o local de origem é a próxima pergunta indicada na "conversa standard", ela me responde "Iraq".
Sempre achei que ao fazer esta pergunta iria ser capaz de dizer alguma coisa em resposta, especialmente depois de, no outro dia, ter conhecido um emigrante da Eritreia e, graças a algum conhecimento de geografia escondido no fundo do cérebro, como uma música nem se sabe que existe mas que se reconhece quando se ouve, ter conseguido responder "That's in the East of Africa, right?", mas neste caso, tenho que admitir, não consegui.
A verdade é que é muito interessante conhecer gente de sítios diferentes. Ainda hoje estive sei lá quanto tempo a falar com uma Venezuelana sobre o Hugo Chávez e foi muito bom ficar a conhecer as opiniões de alguém que é de lá, mas quer dizer, o que é que se diz a alguém que é do Iraque? "Oh, the place with all the bombs!" não soa muito bem. Tão pouco soa "Glad you got out in time, hey?". Eu até tenho medo de ferir as susceptibilidades de algum Alemão ao falar da 2ª Guerra Mundial, o que é que hei de dizer a um Iraquiano?
Oh well, saí de fininho de perto das gentes do Médio Oriente e fui falar com uns Franceses sobre vinho e queixar-me do preço do pão na Suécia, que é uma coisa bastante mais agradável do que bombistas suicidas e Americanos a matar gente. O que vale é que o Europeus até são uns tipos pacíficos.

Ainda ia deixar aqui uma reflexão sobre como a Europa mudou nos últimos 50 anos, mas depois de escrever e reler esse texto, acho que é melhor ficar para outro dia. Vou é ver se durmo.

sábado, 15 de setembro de 2007

Último Metro

Perdi o último metro
a noite estava fria
apanhamos o autocarro para Nyfors
tocámos em todas as paragens
o motorista passou-se
o José não se calava
perdi o último metro
não foi a primeira vez
não foi certamente a última
até porque não sei
a que horas é o ultimo metro

PS: O genérico do Dragon Ball em espanhol é genial
PS2: não desaparecemos da face da terra, o manel é que se esquece de me devolver a máquina para meter as fotos no pc para podermos fazer posts decentes
PS3: Se alguém souber a que horas é o último metro que me avise

domingo, 9 de setembro de 2007

...e [os Espanhóis] são uns gandas malucos

Pela primeira vez escrevo um post da Suécia com a cabeça a doer e o mundo ainda um pouco a andar à roda. A razão para isto foi a "sangria party" que os Espanhóis organizaram aqui ontem.
Muitos de vós devem querer agora perguntar: Ó Manel, mas o vinho para a sangria não é caro que se farta aí na Suécia? A resposta é sim, o vinho de pacote mais rasco do Systembolaget (communist bastards!) fica pela módica quantia de 4,5€ o litro. Então, como é que foi possível fazer uma festa com sangria, se não há vinho barato e os espanhóis não são podres de ricos? A resposta está aqui:

Com o que é que se fica se se misturar concentrado de uva com um pó mágico e se deixar repousar durante 4 a 8 semanas? Vinho! Aí acima podem ver 23 litros dele a fermentar no apartamento de uma espanhola. Escusado será dizer que este vinho está agora a terminar a sua viagem pelo sistema digestivo de alguns estudantes (principalmente Espanhóis e Portugueses), mas continuando... Pelo que nos disseram, não é a primeira vez que fazem isto, o que nos dá uma certa confiança, mas de qualquer forma, ainda tinha um certo conflito interno entre o meu cérebro e o meu coração, como se tivesse os famosos diabinho e anjinho com cara de Manuel a dar-me conselhos:

Anjinho: Vais ficar com o sistema digestivo todo fodido!
(Sim, porque o anjinho, apesar de dar bons conselhos, não é nada bem educado.)
Diabinho: Beeeeeebeeeeeeee saaaaangriiiiiiiaaaaaaaaa! MUAHAHAH!

Claro que quando os espanhóis chegaram lá abaixo com 50 litros de sangria decidi borrifar-me no anjinho. Como agora, no dia seguinte, o meu sistema digestivo ainda está a funcionar bem, penso que tomei a opção certa.


Além da sangria dos espanhóis de Sundbyberg, houve outras boas contribuições para a festa. O Luís levou um belo chouriço e um pão; os espanhóis de Tyresö uma tortilha e eu uns amendoins para acompanhar a sangria. Por momentos até pareceu que estávamos na península Ibérica. De inverno, claro.

Depois de 2 ou 3 sangrias e de contarmos aos espanhóis a história do brinde na crayfish party, surgiu uma discussão entre um espanhol de Valência e uma Catalã sobre se deviamos fazer um brinde em Castelhano ou em Catalão. Os Portugueses, como povo apaziguador e pacifista que somos, resolvemos o problema sugerindo que fizéssemos primeiro um brinde em Catalão e depois um em Castelhano. Claro que só por termos esta bela ideia, também merecemos que se fizesse um brinde em Português. E assim foi:

Sangria #1: Sanilari, Sanilari, filho da puta o que no se acabe!
(Como eu não sei catalão, isto deve estar cheio de erros, mas dá para perceber a ideia)
Sangria #2: Vai acima, vai abaixo, vai ao centro e bota abaixo!
Sangria #3: Hidalgo, hidalgo, hijo de puta lo que deje algo!

Estes intercâmbios culturais são mesmo fixes.

Depois ainda houve tempo para beber alguma da bebida tradicional do Húngaro. Eu não me lembro do nome daquilo, mas duvido que já algum de vocês a tenha bebido, porque não vejo nenhuma razão para aquilo ser vendido em qualquer sítio fora da Hungria. Mas de qualquer forma, o Húngaro tem muito orgulho na bebida, de maneira que é cortesia elogiar a bebida depois de a beber. Portanto, os comentários dos Espanhóis que experimentavam a bebida em Castelhano variavam bastante dos que faziam em Inglês:

It's quite good.
Es asqueroso!

Yes, it's very strong.
Es una mierda!

It's good. After you drink it you get really warm.
Que asco! Dame los cacahuetes
(amendoins) para quitar el sabor.

Apesar de, como qualquer Português, até conseguir inventar umas coisas a falar Castelhano, a escrever é bastante diferente, mas mais uma vez, dá para perceber a ideia.


Do resto da festa não me lembro de mais nada que seja relevante contar, mas claro que é sempre mais fácil uma pessoa lembrar-se do que aconteceu no início da festa do que o que aconteceu no fim.

O que me lembro foi que alguém disse que havia uma festa em Solna, que é uma terra perto de Sundbyberg. Claro que não é fácil levar um grupo de 20 ou 30 pessoas alcoolizadas de um sítio para outro todas juntas, portanto o grupo acabou por se separar.
O trágico disto é que nas fileiras do nosso subgrupo não estava ninguém que soubesse para onde tínhamos que ir.
É sabido que em Portugal se criou por necessidade e por conveniência a convenção de que quando se está num grupo destes, segue-se a pessoa mais sóbria, pois é ela quem tem maior capacidade de nos levar até ao nosso destino. Infelizmente, os Espanhóis têm uma ideia diferente, que é seguir quem tem um ar mais confiante, o que não é nada bom, pois normalmente essa é a pessoa que também está menos sóbria. Assim, estivemos 45min a seguir um espanhol todo emborrachado que de vez em quando lá dizia "Ja lo veo! Es allí!". Mas tenho que admitir que o fazia com uma confiança abismal, especialmente para quem está no meio de uma via rápida onde a única coisa que se vê são árvores.

Mesmo assim, uma das espanholas lá nos conseguiu orientar e acabámos por chegar à festa às 2.30. Escusado será dizer que a festa já tinha acabado. Mesmo assim, ainda saltámos uma vedaçãozinha nas traseiras para ir lá dentro um bocado. Como bons ibéricos mitras, depois
saímos pela porta da frente como se nada se passasse, apesar de termos estado lá 15min antes a falar com o segurança.
Foi ao sair que ouvi um grito saudoso de "SÃO TUGAS CARA***", e foi assim que conhecemos o 4º e 5º Portugueses que estão a estudar em Estocolmo. Portanto, é provável que em breve venhamos a fazer o nosso primeiro jogo de Sueca na Suécia.

E assim voltei para Sundbyberg e terminou a noite mais longa desde que cá cheguei. Fui para a cama ás 4.
(Com toda a justiça, deve-se referir que a festa começou as 20.30)

Nota: Nós não tirámos fotos, mas havia lá gente a fazê-lo, portanto meteremos essas fotos aqui quando aparecerem.

sábado, 8 de setembro de 2007

A ida ao banco


Isto é um post em que quero que sinceramente pensem no que poderá ter causado a situação e se não é só mania da perseguição.

Não sei se sabem mas cada vez que levanto dinheiro por estas bandas com o meu cartão português sou "roubado" na módica quantia de 6 euros, então eu e o Manuel optámos por abrir uma conta bancária mesmo sabendo que só vamos cá ficar 4 meses (desaconselhado por algumas pessoas). A outra opção seria levantar o dinheiro todo de uma vez e metê-lo debaixo do colchão, mas não é muito prático.

Apenas um banco abre contas a alunos estrangeiros que não tenham registo civil Sueco e esse banco dá pelo nome de Nordea.

Foi-nos dito que apenas precisávamos levar a nossa carta de aceitação, a nossa identificação e preencher um formulário e puff tínhamos uma conta bancária.

Quarta Feira dia 5 de Setembro

O Manuel dirige-se à filial da Nordea em Sundbyberg e com os documentos acima apresentados abriu uma conta.

O Luís nesse mesmo dia mas à tarde dirige-se à filial de Tyresö com os documentos acima apresentados e a resposta que obtém foi "You need a swedish ID card, we dont open bank accounts to foreigns"

Chegado a casa e em conversa com espanhóis, franceses e um lituano descubro que todos abriram a conta deles na filial de Tyresö. Foi ai que o Lituano diz, "Mas tu até tens ar de terrorista"

Para quem me conhece, sabe que eu e a gillete temos uma afinidade estranha e não nos damos muito, e sou muito mais moreno que o Sueco típico, por isso secalhar até tenho ar de terrorista.

Quinta Feira dia 6 de Setembro

Não querendo pensar que não me abriam a conta por causa do meu aspecto, dirigi-me à filial em Kista onde se recusaram a abrir a conta pois não aceitavam o meu BI. "You need a passport". Ora bem eu não tirei passaporte pois Portugal é membro da UE e em princípio não é preciso em países da UE e a Mulher até duvidou que eu tenha entrado na Suécia só com aquele pedaço de cartão a que chamamos BI (para a próxima faço uma merda duma passaporte e pronto)

Nessa mesma tarde dirigi-me à mesma filial que o Manuel, apresento os documentos e estava tudo muito bem até que me pedem o meu id. "I will not accept this id, you need a passport".

Ok, o Manuel abriu aqui uma conta com o BI dele porque não posso eu também?

Nessa mesma tarde dirige-me à filial no centro da cidade onde recebi a mesma resposta, mas aí deram me uma explicação mais plausível, como nunca tinha visto um BI Português não o podia aceitar, e ao menos o empregado perguntou-me pelo Benfica e pelo Rui Costa e pelo Nuno Gomes pois é um grande fã de Portugal. Não me abriram a conta mas ao menos trataram-me bem.

Chegado a casa toda a gente se riu na minha cara por não ter conseguído abrir a conta quando toda a gente a abriu com o id dos seus países, até que me fizeram a proposta de fazer a barba

Sexta Feira dia 7 de Setembro

Acordei e fiz a barba.

Dirigi-me à filial em Tyresö (a mesma onde me recusaram a 1ª vez)

Fui atendido pela mesma mulher que na 1ª vez.

Saí de lá com uma conta aberta e ela até reconheceu o meu Bi como Português só pelo formato

E esta heim? Há coisas fantásticas não há ?

Os espanhois até são fixes

Penso que esta ocasião é tão importante que merece um post: tenho um microondas! Para uma pessoa com os meus dotes culinários isto pode fazer a diferença entre a vida e a morte. Alias, isto é tão importante que o Húngaro até me ajudou a limpar a mesa para conseguirmos ter espaço para pôr o microondas lá.
Agora já podemos fazer pizzas congeladas em 3 minutos, em vez dos 20 que demorava no fogão e não há o risco de disparar o alarme de fumo!

Muchas gracias às espanholas do 5º andar que ofereceram o microondas antigo delas, que parece saído do '2001, Odisseia no Espaço'. Aposto que isto já serviu para aquecer refeições dos Abba ou dos Europe, com a idade que tem.


Está visto que não aprendi bem nas aulas de Geologia que se deve meter sempre uma escala nas fotos. Mas acreditem, este microondas é grande.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Igualdade

Argh! Foto queimada!

E aqui está um momento histórico: a primeira foto de uma sueca do blog! E não pensem que foi fácil ter lata para ir pedir à sueca, que estava a meio do seu dia de trabalho, para a tirar. As coisas que têm que se fazer para aumentar o número de leitores masculinos...

Desde que chegámos à Suécia já vimos mulheres a fazer trabalhos que normalmente não fazem em Portugal, como por exemplo, conduzir autocarros, trabalhar nas obras e arranjar a máquina das senhas do banco (como a sueca da foto estava a fazer). Segundo um relatório de 2006 do World Economic Forum, a Suécia é o país onde existe menor desigualdade entre homens e mulheres, sendo seguida de perto pela Noruega, Finlândia e Islândia.

Como podem reparar, a sueca da foto também tem uma tatuagem (e um piercing no nariz, que não se consegue ver), mas aqui isso não parece ser um grande problema, pois já vimos imensa gente a trabalhar em lojas, e outros postos que envolvem contacto com os clientes, com os braços completamente tatuados, piercings, argolas no nariz e outras coisas mais. A Suécia é um país muito aberto. Outro exemplo desta abertura são as lojas de vídeos, que aqui por vezes têm filmes porno expostos na montra para a rua...

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Já nos estão a lixar as férias

Não, a foto não é minha. Está boa demais para isso.

Foi ontem aquele dia fatídico e inevitável em que começamos as aulas. Sinceramente, há bastante mais sobre que falar do período que se seguiu a elas do que delas em si, que o Luís já descreveu no seu ultimo post. Mas como o objectivo principal (pelo menos em teoria) desta nossa aventura é gozar da boa e mui famosa educação da KTH, até parecia mal não meter nenhum post a celebrar o início do semestre.

Como já devem saber, o semestre aqui está dividido em 2 Study Periods. Caso sejam leitores mais recentes, também devem saber que foi este o facto que me levou a fazer merda e a escolher as cadeiras erradas, mas continuando... Nós vamos fazer 1 cadeira em cada um destes study periods, mais o curso de sueco que dura os 2. Além disso, vamos (tentar) avançar algum trabalho para a tese.

A cadeira do primeiro study period, ou seja, aquela cujas aulas começaram ontem, tem o bonito nome de "Internet Search Techniques and Business Intelligence". Os leitores que não são da área de informática escusam de ficar preocupados se não conseguirem perceber o que será isto, porque os que são também não percebem. Para os realmente interessados, está uma descrição da cadeira aqui. Ao que parece, vamos aprender como é que o Google funciona e, por exemplo, como é que se faz as páginas aparecerem mais acima nas searches. Felizmente, o professor disse que a cadeira não é muito técnica, para o desagrado do grupo de gente a cheirar a caril e lutadores de Kung Fu presentes na aula.
Vamos ter um teste, uns quantos trabalhos e, além disso, vamos ter que investigar sobre um assunto à nossa escolha relacionado com a cadeira e fazer uma apresentação oral. Em inglês, como é óbvio, o que deve ser uma coisa divertida de se ver. Bem, ao menos podemos rir-nos um dos outro. Em vez do trabalho de investigação também de pode programar alguma coisa, isto pareceu por de novo um brilho nos olhos dos grupos acima mencionados.
Depois de um intervalo, tivemos a nossa primeira lecture (nome dado aqui ás aulas teóricas). Na verdade, só tivemos metade, porque a outra metade foi dedicada a explicar o que era um vector, o produto externo e o logaritmo, but you don't need to know all this, it's just so that you can understand the next lecture better. Depois de tal explicação fiquei a pensar que ou nós aprendemos mais do que devíamos no IST ou os suecos acham que as aulas no estrangeiro são todas dadas por missionários ao ar livre como no Zimbabwe, e que antes de entrar para a faculdade só aprendemos a contar até 7.

Depois de sofrermos a fúria do deus Thor e apanharmos uma molha descomunal no caminho para Valhallavägen, onde se situa o main campus, tivemos a nossa primeira aula do curso de sueco. A professora é um bocado estranha, mas até parece ser bem intencionada. Resumindo a aula, estivemos 3h a treinar pronunciação, o que em sueco implica fazer sons bastante estranhos que em Portugal tipicamente são feitos por gente com um cromossoma a mais ou por alguém enojado que diga "bleeeergh!". Ou seja, ainda bem que nenhum de vós nos pode ver.
É de notar que mesmo depois destas 3h muito divertidas, umas suecas ainda gozaram connosco por pronunciarmos mal Tyresö. Mas elas pronunciavam "filha da puta" ainda pior, portanto não nos sentimos afectados.

E foi assim o primeiro dia de aulas de muitos. Agora vou é ver Therion para tentar tirar as músicas de ontem da cabeça.

Parados no tempo

Acabado de chegar duma festa (sim é relativamente cedo, mas aqui é assim) senti a necessidade de partilhar com vocês uma opinião que partilho com o Manuel e com pelo menos mais um Alemão

QUE MERDA DE MÚSICA ESTES GAJOS PASSAM NAS DISCOS/FESTAS

se vierem à Suécia e quiserem ir a uma festa levem tampões caso queiram sobreviver, pois a música que passa por aqui faz os Djs da Cenoura do Rio parecerem o Carl Cox

Ora aqui vai uma set list do que tivemos de ouvir hoje

-Ricky Martin - Livin la vida louca
-Ricky Martin - Allez Allez ou raio que o parta
- Blondie - Maria
GUNTHER (senão conhecem vão já ao youtube), foi o momento mais marcante da minha estadia, tinny winny string bikini =)
Música de carrinho de choque daquela mesmo má, é que ainda existe aquela do xuning mas esta é só mesmo má

E uma música que deve ter uns 500 anos e que só sei a letra, sleep with me c´mon ha ha and sleep with me shut up

Comentário do alemão "Eu ouvia esta música quando tinha 12 anos"

Noutra noite ouviamos a Im blue dabadidababda

Pah .. estes gajos pecam pelo mau gosto em muita coisa mas a Música supera-me

Para verem como estão parados no tempo aqui vai uma foto do Manel e parte do meu braço com a equipa do benfica de 1970


e porque só aparece o meu braço perguntam vocês, foi um pino Sueco que tirou a foto, isso explica tudo

recorrendo à escala de temperatura do Manel, está um frio do car****

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Metal Musik


O Swedish Metal Expo , como o nome indica, é uma exposição sobre música metal que dura 2 dias. Tem banquinhas a vender, t-shirts, cds, posters e outro merchandising, concertos e mais algumas coisas divertidas. Uma das bandas que lá tocou foi Evergrey e como o bilhete para um dia era só 120kr, fui lá vê-los. Aqui estão alguns pontos positivos e negativos desta viagem:

Bom:
  • Evergrey foi muito bom
  • Suecas do heavy metal
  • As banquinhas tinham t-shirts fixes
  • Jogar Guitar Hero II com uma sueca
  • A sala dos concertos não estava cheia de fumo
Mau:
  • Não tocaram a When The Walls Go Down
  • Não percebia nada do que o gajo dizia entre as músicas, mas não devia ser nada de importante
  • As t-shirts aqui não são mais baratas que em Portugal
  • Enganei-me a escolher a dificuldade no jogo e meti em Hard
  • A sueca não pareceu importar-se muito e deu-me 60k-2k
Ainda conheci uns suecos que levaram um puto com para aí 2 ou 3 anos para o concerto, com umas brutas protecções para os ouvidos, claro. Isto é especialmente óbvio porque mesmo a maioria dos suecos "crescidos" usavam protecção para os ouvidos.
Também é de notar que o concerto começou 45min atrasados e os suecos já estavam a pensar ir-se embora. Ficaram muito admirados quando disse que em Portugal era normal haver sempre esse atraso no mínimo.

Numa casa Portuguesa fica bem...


...pão e vinho sobre a mesa, mas na Suécia essas coisas são caras que se farta, portanto esta casa tem esparguete EuroShopper e águinha del cano sueca, que até nem é má.
Como já disse, o meu quarto situa-se em Sundbyberg, um subúrbio a norte de Estocolmo, onde as pessoas não têm um aspecto tão simpático, não falam tão bem inglês e as ruas não são tão limpas. Este apartamento tem dois quartos, o que quer dizer que quem aqui vive tem que partilhar a cozinha e casa de banho com mais uma pessoa, que no meu caso é um Húngaro muito pacifico chamado Adam (na verdade, ambos os 'a' têm um acento, mas não sei qual é). Neste prédio há vários estudantes da KTH a viver em apartamentos assim, que deverei conhecer na próxima festa que aí houver.

No site da KTH é dito sobre o apartamento: Furniture: bed, table and chair. Como já devem ter reparado pela foto, o quarto tem mais alguma mobília, como um sofá, vários candeeiros, um móvel e até uma TV. Além disto, há aqui mais umas coisas abandonadas, por exemplo: um monitorzinho LCD que parece da idade da pedra, uns óculos escuros de ciclista, uma garrafa de um medicamento chamado Mollipect (se alguém souber o que é diga, que eu estou curioso) e uma bicicleta que tem um ar bastante reparável. Juntando todas as peças, só se pode concluir que o antigo habitante era um ciclista e que o Mollipet deve ser doping, mas pronto. Eu assumo que todas estas coisas tenham sido cá deixadas pelos antigos habitantes do quarto, pois a mobília do outro quarto do apartamento não tem nada a ver com este. Ou seja, isto são quartos com uma certa história e um ambiente que várias pessoas contribuiram para criar. Eu também já dei a minha primeira contribuição: um cesto para papeis do IKEA que custou 5kr. A kitchenete também até está bem equipada e decorada, sendo a única falta relevante um microondas.

Como alguns de vocês devem saber, eu não sou um grande fanático da limpeza e da arrumação. Alias, até pensava que até me podia considerar abaixo da média. Tudo isso mudou quando vi a casa de banho do apartamento. Podia estar aqui a descrever toda a imundice com vocabulário asqueroso, mas o meu Português não é bom o suficiente para isso e, como dizem, uma imagem vale mil palavras.



Então qual foi a primeira coisa que o nosso herói foi fazer no dia seguinte? Ah pois, limpar a casa de banho. Há gente que se deve sentir orgulhosa.
Uma coisa curiosa sobre as casas de banho na Suécia é que não têm banheira, só chão mesmo. A desvantagem disto é que o chão pode ficar um bocado molhado enquanto se toma banho. A vantagem é que é muito fácil de limpar, tira-se tudo cá para fora e dispara-se com o chuveiro contra tudo o que pareça sujidade. Até é uma coisa semi-divertida de se fazer.

Como podem imaginar, se a casa de banho estava assim, o resto da casa não poderia estar muito melhor. Na verdade, o meu quarto até estava bastante limpo, mas a cozinha nem por isso. Em particular, o fogão estava a precisar de uma boa limpeza. Não, a seguir não fui limpar o fogão, também era limpezas a mais para uma semana. Fui é fazer uma bela pizza congelada Billy's. Lá ponho o fogão a aquecer e quando o vou abrir dispara o alarme de fumo. Já comecei bem... O Adam descobriu como é que se desligava o alarme, o que foi útil 10 minutos depois, quando fui buscar a pizza e o alarme disparou outra vez. E assim foi a minha primeira refeição cozinhada na nova casa.

Mas é um belo sitio e penso que não me vou importar de viver aqui durante 4 meses. Quero só dizer que o sofá está disponível a quem cumprir pelo menos uma das seguintes tarefas:
  • Trazer-me álcool ou um chouriço
  • Lavar-me a roupa
  • Limpar o fogão

domingo, 2 de setembro de 2007

A lavagem da roupa

Pois é jovens chegou aquela altura da minha vida em que tenho que lavar a minha própria roupa. À primeira vista parecia uma tarefa fácil mas como vão ver de seguida eu sou um verdadeiro ás nestas lides (not)

Na Suécia existe uma lavandaria comum a todo o prédio em que cada cada pessoa reserva um dia e uma hora e leva o seu próprio detergente e pode utilizar as máquinas de lavar e secar.

Repararam no uso do bold na palavra detergente ?

Boa! Parece que é algo que eu não sei o que é, e passo então a explicar.

Ontem fui ao supermercado comprar coisas que precisava entre elas o detergente, cheguei à prateleira com os produtos para lavar roupa e olhei para o detergente líquido mais barato (o ariel tá caro pah). Assim que chego a casa um lituano que aqui mora vira-se para mim :
- "então gostas de usar amaciador na tua roupa?"
Eu : - "isto não é detergente líquido?"
Ele : - "não pah isso é amaciador"

ha então está bem pensei eu... também so me custou um euro

Hoje fui ao supermercado para comprar a coisa certa, e comprei um detergente muito bom da marca comfort e cheira a sol e tudo!

Chegado a casa disse e em conversa com o grande Edu que passo a citar

"Lord of the Stringz... diz:
back
Lord of the Stringz... diz:
com um mega comfort cheiro do sol
Lord of the Stringz... diz:
hahahaha
Edubaza diz:
lololol
Edubaza diz:
m confort n e amaciador=?
Lord of the Stringz... diz:
ãi o crl
Edubaza diz:
epa eu acho q é amaciador
Lord of the Stringz... diz:
nao me fo*** !
Edubaza diz:
epa eu acho q e amaciador meu
Edubaza diz:
so se tb ha em detergente
Edubaza diz:
m qd oiço falar em comfort lembro-me dakele anuncio das roupas bue parvo"

Chamada para casa e cinco minutos depois descubro que de facto Comfort é AMACIADOR

Eu sou o Rei ! Saldo gasto em amaciador 4 euros, custo do Ariel 3,5 euros, sabem o que vou fazer a seguir ao almoço ?

TENTAR NÃO COMPRAR AMACIADOR

End of Chapter One - The Parting

Weee! Tenho o photoshop!

Como alguns devem estar a reparar, este post já está algum tempo atrasado, mas estes dois últimos dias foram muito cheios. Além disso, não têm nada que se queixar, que nós não estamos a receber para escrever isto :P
Mas vamos ao que importa, o Accomodation Office da KTH deu-nos as chaves dos nossos quartos mais cedo do que era esperado (dia 31 de Agosto) e podemos finalmente ir viver para os nossos quartos e deixar para trás Klubbensborg e o lago Mälaren, as árvores verdes, a casa em tempos assombrada (que foi desassombrada primeiro por umas alemãs histéricas e uns americanos que faziam um chinfrim do caraças, e depois por mais uma data de gente) e a Maria dos cabelos pretos e olhos azul-saturado.
Olhando para trás, até foram uns 8 dias divertidos. Conhecemos uma data de gente, alguns outros estudantes, mas principalmente gente que estava de passagem por Estocolmo. Entre eles conhecemos no total uns 5 Portugueses e, por coincidência, um deles está a fazer o mestrado na nossa faculdade (o IST-Taguspark) com um ex-professor nosso que também é orientador da tese do Luís (o Rocha). Abstenho-me já de fazer comentários divertidos sobre isto, porque a era da informação é uma coisa lixada.

Portanto, agora vamos viver para subúrbios em lados opostos da cidade, eu em Sundbyberg e o Luís em Tyresö. Nos próximos dias metemos posts sobre os nossos quartos e as zonas meio chungas para onde vamos viver. Posso já dizer que o prédio do Luís é particularmente engraçado.


Vou deixar aqui as reviews dos hostels por onde passámos nesta estadia:

City Lodge: Mesmo no centro da cidade, na rua com o ar mais chunga que vi no centro da cidade, mas para alguém que venha de Lisboa não é nada, especialmente se forem da linha de Sintra. Dormimos 2 noites num quarto com 8 beliches, mas até era silencioso durante a noite. O nome da rede wireless que eles dão não funciona, mas felizmente têm um vizinho pouco cuidadoso e, portanto, há wireless todo o dia. Apenas por 195kr/dia, mais 50kr do aluguer dos lençóis (nota: 1kr = 0.106602972 eur, ou seja, é mais ou menos dividir por 9/10)

Klubbensborg: Um parque de campismo que também tem um hostel e um hotel. Demorava-se mais tempo para chegar ao centro, mas é um sítio muito calmo e muito bonito. O horário da recepção e do café é um bocado marado, e só há wireless no café, portanto a partir das 5 da tarde só há wireless ao ar livre. Isto foi particularmente mau na noite em que não nos apetecia ir até ao centro e estavam 5ºC cá fora, mas nós somos engenheiros de redes dedicados...
Sobre o quarto em que nós ficámos já sabem o suficiente, mas vou falar um pouco sobre os americanos que foram parar ao quarto ao lado. Pelo que conseguimos perceber pela conversa (alta e ás 7 da manhã) entre os americanos e o que devia ser um agente de viagens ou guia, os americanos deviam estar no hotel, mas alguém fez porcaria e eles foram parar ali. Ou seja, tínhamos um grande grupo de cotas americanos todos excitadinhos por estarem ali todos juntos no mesmo quarto. O resultado só podia ser uma barulheira infernal com vozes que parecem saidas da TV-Shop. Isto ás tantas da noite e de manhã cedo.
Finalmente, o preço para estes belos quartos é 180kr/dia, mais 80kr do aluguer dos lençóis, como é habitual. Para acampar penso que é a volta de 80-90kr/dia.


Para terminar, deixo-vos com o estado do tempo em Estocolmo: já tenho que usar bâton para o cieiro. Coisa que, em Portugal, usava para aí nos 3 dias mais frios do Inverno.