segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Åland (só para ter um caracter esquisito no título do post)


Como devem ter reparado, o post sobre a minha bicicleta voltou a ser adiado. Para os mais distraídos, chamo a atenção que o veículo que está na foto acima não tem pedais, pelo que não pode ser a mencionada bicicleta. Este monte de metal flutuante é sim um dos barcos de cruzeiro da Viking Line.
Como já devem estar a adivinhar, este post deverá ser sobre uma viagem que nós fizemos neste barco. Por uns momentos é possível que pensem "Mas pera lá, eles só andam a comer salsichas do EuroShopper, não têm dinheiro para um cruzeiro. O barco deve ter é ido contra a casa de um deles ou assim", mas não! Este post é mesmo sobre um cruzeiro que nós fizemos, ou mini-cruzeiro, já que só durou 2 dias.
Tendo todos vocês uma grande consideração por nós, não iriam pensar que nós nos andamos a dedicar a negócios menos lícitos como, por exemplo, a prostituição ou assaltos, para pagar isto. Portanto já devem estar a adivinhar que nós ganhámos os bilhetes de alguma forma. E mais uma vez, estão completamente certos. O que se passa é que a Viking Line tem uma promoção em que qualquer pessoa, desde que consiga preencher um formulário e navegar por um site em Sueco, pode reservar viagens de borla para vários destinos, mais particularmente, Helsínquia, Turku e Mariehamn. Foi para este ultimo local que fizémos a nossa primeira viagem na Viking Line.

A Ida
Foi assim que no dia 16 do mês de Setembro do ano de nosso senhor de 2007 estávamos a caminhar desde Slussen até ao cais de embarque da Viking Line. Foi aqui que tivemos o primeiro evento merecedor de nota desta nossa viagem, ao encontrarmos um senhor com ar de asiático que nos tentou dizer alguma coisa sobre as malas. Lá o conseguimos despachar com alguns "yes, ok. thanks!", seguimos na direcção contrária à que ele estava a indicar e assim estávamos no sítio onde se esperava que começasse o embarque.
Foi aqui que notámos que estávamos a ser seguidos pelo tal senhor asiático, a quem nos iremos referir daqui em diante como "chinês".
O chinês era uma personagem um pouco caricata, pois quando não estava a seguir alguém pelo convés, é porque estava sentado ao lado de alguém a olhar fixamente para ele, ou ao pé de um grupo de pessoas a tentar ouvir a conversa delas. Foi assim que esta personagem, já estava rotulada como "chinês", ganhou também o rótulo de "psicopata".


Chinês psicopata

Depois de embarcar fomos ver a nossa cabine e deixar lá as nossas coisas. Como o bilhete foi oferecido, podem imaginar que a cabine não era propriamente muito luxuosa. Ficava no andar mais baixo do barco, abaixo mesmo dos andares onde levam os carros.
Mesmo assim, tinha uma duas camas, uma mesinha com cadeiras e uma casa de banho, e até era bastante confortável e acolhedor. Bem, a cavalo dado não se olha o dente, e já paguei mais para dormir em sítios piores.
Claro que quando íamos a sair da cabina, vimos o chinês a passar no corredor e rezámos para que ele não nos fosse bater à porta com um machado durante a noite.

Depois decidimos ir dar uma volta pelo barco e bebemos uns copos de champanhe à borla no bar enquanto víamos a partida pela janela. Muito fancy, foi o mais que nos parecemos com ricos num cruzeiro. Daqui para a frente foi sempre a descer...

Nesta altura é relevante explicar porque é que se oferecem viagens neste barco, pois isto está intrinsecamente ligado à razão do "sempre a descer". A razão principal é muito simples: Tax Free Shop. O meu conhecimento sobre direito internacional não é muito grande, mas o que se passa é que no barco se podem vender bens sem pagar imposto. Isto é especialmente relevante para os bens que têm um imposto alto (especialmente na Suécia), ou seja, álcool e tabaco. Além disto, também há os restaurantes e bares, e ainda as máquinas de jogo que estão espalhadas por todo o navio. Resumindo, este barco é um autêntico antro de perdição flutuante, mas ao menos tem vodka a um preço aceitável.

Foi assim que chegou ás nossas mãos por 7€ uma garrafa de 50cl de Koskenkorva de maçã com 37.5%, mesmo a tempo da hora do jantar. E este jantar não foi um jantar qualquer, pois além da Koskenkorva tínhamos um alimento vindo especialmente da nossa bela terra mãe, como podem ver na foto.

Jantar

Depois deste momento em que a gastronomia Portuguesa e Finlandesa se misturaram, decidimos que deviamos arranjar sprite para juntar à Koskenkorva. Desta alquimia resultou uma combinação que havemos de repetir muitas vezes.

No barco também havia uma conferência com uns quantos expositores, por isso aproveitámos para roubar umas canetas, rebuçados e mochilas. Foi tam
bém aí que enchemos um copo de plástico com amendoins que estavam a oferecer, que depois acompanhámos com as nossas sprite-kosenkorvas-de-maçã.

Fomos à cabine reabastecer de bebida e vagueámos pelo barco. Vimos umas quantas bandas a tocar e depois chegámos a um local bastante mais divertido: o Karaoke.
Nesta altura devo explicar que, como era domingo, quase toda a gente neste barco tinha mais de 50 anos, sendo que os jovens vão normalmente ás 6ªs e sábados. Apesar da baixa percentagem de gente desta faixa etária que vai para o karaoke, o elevado número deles a bordo fez com que os mistérios da matemática e estatística ditassem que aproximadamente 50% das pessoas que estavam no karaoke faziam parte deste grupo.

Mas a outra metade gostou muito de nos ouvir cantar a Enter Sandman...

A Koskenkorva fez com que eu decidisse começar a nossa performance com uma dica patrocinada pelo nosso leitor Nizar: "Boa noite! Alguém aqui fala português? Não!? Então vão todos para o c******!". Depois disto, o Luís segurou o microfone pelo fio e começou a andar com ele a volta, o que fez com que o microfone em si se desprendesse do fio e voasse uns 2m na direcção do público. Mas por esta altura, já estava quase a acabar a intro da música e podiamos começar a arrasar aquilo. Tanto arrasámos que a meio da musica veio um outro individuo aos saltos e me roubou o microfone, gritando depois algumas coisas para ele, que não eram nada a letra da música.
Resumindo, foi um grande sucesso, como se pôde notar pelos aplausos no final da música. Ainda nos inscrevemos para ir cantar outra música, mas teria que ficar
para a próxima.
Depois de ter passado o melhor momento da noite, ainda ouvimos um bocado de uma banda qualquer a tocar umas coisas e passámos pela disco. Depois fomos dormir 3h, até o barco chegar a Mariehamn.


Mariehamn

Já muitos filósofos, pensadores e escritores afirmaram e reafirmaram "Não é o destino que importa, mas sim a viagem que se faz para chegar a ele" ou alguma variação disto. Podia filosofar e discutir aqui se isto será
mesmo verdade ou não, mas numa viagem para Mariehamn isto não é necessário. Mesmo que a viagem fosse feita a remar uma galé, devia ser bem melhor que o destino. O Luís vai falar mais sobre tudo o que existe em Mariehamn, mas este vídeo resume-o bastante bem.


Para ser honesto, até parece ser um sítio calminho e simpático, mas não tem assim muita coisa.)

A Volta

Durante o regresso, aproveitámos para ver a bela paisagem que é o arquipélago de Estocolmo.


É um pouco difícil ver neste screenshot, mas o arquipélago de Estocolmo, por onde o barco passa no caminho para Mariehamn, é o maior da Suécia e tem mais de 24.000 ilhas. Portanto, o barco ficou durante 3h a passar pelo meio de todo o tipo de ilhas, ilhéus e ilhotas, algumas enormes, outras que não são mais do que um calhau no meio do mar. Algumas delas têm casas com barcos atracados lá perto, que devem ser casas de férias de suecos. E claro que isto é a Suécia, portanto a maior parte das ilhas estão cobertas de árvores. Infelizmente, não consegui arranjar nenhum vídeo aéreo do sítio, mas está aqui uma foto.

Este cenário repete-se durante uns 50 quilómetros ou mais.

E assim foi a nossa primeira viagem na Viking Line. Mariehamn é um sítio um bocado parado, especialmente ás 9 da manhã, mas a viagem foi muito divertida, apesar dos passageiros do barco parecerem um bocado saídos da Praça da Alegria no Dia dos Avós.
Não percam para a semana a reportagem sobre a viagem a Helsínquia.

5 comentários:

Rebelo disse...

Ainda bem que se divertiram! E borlas são sempre bem vindas...

João disse...

Então e o surströmming pá? :P

laura disse...

"Boa noite! Alguém aqui fala português? Não!? Então vão todos para o c******!" - haha!
Bem, pareceu um sítio interessante e...vazio. Ao menos o cruzeiro de borla deu para arranjar álcool =P

André Martins disse...

Bem isto não tem a ver com o post e muito menos com a finalidade do blog, mas senti a necessidade de publicar isto em algum lado. como já não sei o endereço do blog que fiz qd passei a AMIV vou fazer aqui um post off topic.

ora então cá vai:

PASSEI A RIS CARALHO!!!!!!!

15.3!!!!! sou o maior!!!!!!


pronto... se tivesse na suecia iria apanhar uma bezana no proximo cruzeiro, como tou em portugal se calhar é já quinta...

Luís Pedro disse...

parabéns André :D és o maior do mundo moce marafado wo wo wo wo wo

isso é uma excelente notícia

próximo sábado afundamos o navio só para ver se o Báltico é tao frio como aparenta =P